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sexta-feira, 28 de março de 2014

Pensamento avulso XV

As pessoas ainda tratam o PT como um partido marginal, formado por idealistas acima de qualquer suspeita. O PT seria então o arauto da moralidade e enquanto tal um eterno perseguido pela elite. Se essa ideia não faz jus ao partido em seus primórdios, faz menos sentido ainda nos dias de hoje. Como um partido que elege presidentes há doze anos, tem no senado uma base aliada gigantesca e o apoio de "pequenas" empresas como a Odebrecht é um partido perseguido? Falta para tais pessoas o senso de proporções. Qual a elite faz frente a esse tipo de política atual? Algum professor secundarista que não recebe nem o suficiente para declarar imposto de renda? É isso que chamo de elite econômica e política!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Pensamento avulso XIV

Eureca!!! Descobri como resolver os problemas do mundo. Simples e fácil: Diz-se a palavrinha mágica "diálogo" e tudo se resolve. Exemplo: o bandido entra armado na sua casa espancando todo mundo e você diz "amigo vamos dialogar". Num passe de mágica tudo se resolve você senta com o bandido e lhe oferece um café, aproveita e perde perdão a ele por não ter podido lhe oferecer uma bebida mais elegante, um vinho do Porto, por exemplo. Quem sabe da próxima vez você tenha a oportunidade de lhe prestar esse obséquio, afinal o culpado é você mesmo que contribui para uma sociedade tão desigual em que os outros são obrigados a medidas extremas como no caso roubar.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Uma nova concepção de ciência: (breve análise a partir de T. Kuhn)

Quando se fala de ciência no quotidiano ou mesmo entre a comunidade acadêmica percebemos que as pessoas a associam com teorias e leis infalíveis, a respostas satisfatórias e únicas para a realidade. Certamente a ciência é um saber rigoroso e necessário nas inovações tecnológicas, no entanto, não é o único e infalível. Ao contrário do que grande parte de pesquisadores e leigos pensam a ciência não segue um padrão pré-determinado de evolução e acúmulo de conhecimentos. Thomas Kuhn, por exemplo, defende a tese de que a ciência caminha através de revoluções de quebras de paradigmas, ou seja, se afirma em meio a tensões.
O conceito de paradigma, que é essencial para uma crítica da ciência tem um significado bem definido, são:

[...] realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência. (KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. tradução. Beatriz V. Boeira; Nelson Boeira. Perspectiva: São Paulo, 1975.)

A partir de um paradigma questões metodológicas-experimentais são propostas e com isso a ciência normal se edifica dentro desse “limite” imposto pelo paradigma, aquele que não se adequa a ele deve trabalhar isoladamente. Antes de se consolidar o paradigma há um período pré-paradigmático, onde teorias parciais e particulares se confrontam, sendo importante dizer que tais teorias são influenciadas por crenças metodológicas, ao contrário do que pensa a comunidade científica que prega sua neutralidade.                                            


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pensamento avulso XIII

A Filosofia nasce do esforço de apreender do Real aquilo que ele tem de inteligível, por isso, não se reduz a fórmulas aforísticas de autoajuda ou a discursos pomposos, prolixos e enfadonhos sobre qualquer coisa. A Filosofia é um empreendimento racional que visa a Verdade, sim “A Verdade”, por mais que esta tenha se tornado um tabu, vista como uma farsa ou um desejo juvenil de épocas perdidas. Realidade e Verdade duas buscas que permanecem no horizonte daqueles que ainda restaram, como Quixote, à revelia do escárnio, tentando lançar-se uma segunda vez ao mar.     

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Manifestar, mas para quê mesmo? 3ª parte - Final

Finalizando estas reflexões retomo a passagem do, “Críton”, de Platão citada anteriormente. Tentar demonstrar que se tem razão simplesmente por se ter muita gente a favor de determinada ideia ou princípio não é um bom argumento nem nos conduz necessariamente à verdade e a justiça. Pelo contrário se formos analisar historicamente quando alguém ou algum grupo percebeu que poderia estimular a multidão para que esta agisse de forma padronizada a certos estímulos levaram o “povo” a condenar um filósofo da estirpe de Sócrates, a preferir Barrabás a Cristo, entre tantos outros exemplos.
  Não quero dizer com isso que não se deve levar em consideração o que as pessoas pensam, mas há que se ter cuidado com a justificativa de que a maioria sempre tem razão ou que “a voz do povo é a voz de Deus”. Quem afirma coisas desse tipo desconhece a noção de justiça.
Reconheço que há sim a necessidade de que as pessoas se contraponham a um governo injusto, mas que não façam disso um subterfúgio para implantar “justiçamentos” e espalhar pelo país um rastro de destruição, que por mais que se repita na imprensa não é algo advindo de vândalos infiltrados, pois é inerente ao processo revolucionário utilizar de medidas radicais associadas a medidas aparentemente civilizadas, para que vença de qualquer forma seja pela força ou pelo “processo democrático”.
Para terminar reitero minhas críticas ao caráter das manifestações no Brasil que surgiram de insatisfações apropriadas, mas que foram instrumentalizadas e careceram de propostas palpáveis. Àqueles que gostariam de pesquisar e conhecer algum exemplo de resistência justa menciono os cristeros do México.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nota relâmpago III

Ao rememorar os 25 anos das sagrações episcopais de quatros bispos da Fraternidade São Pio X a Fraternidade emitiu uma declaração que considero essencial para compreendermos as razões de se afirmar que o Concílio Vaticano desestruturou a Igreja Católica adotando elementos anticristãos como sendo cristãos. Hoje passado já algum tempo temos ainda mais indícios do que se tinha à época do quão perniciosas foram as inovações promovidas após o Concílio (pelos frutos conhecemos as árvores). Recomendo a todos a leitura dessa declaração disponível no seguinte site:  http://www.fsspx.com.br/exe2/declaracao-por-ocasiao-do-25o-aniversario-das-sagracoes-episcopais-30-de-junho-de-1988-27-de-junho-de-2013/

sábado, 29 de junho de 2013

Manifestar, mas para quê mesmo? 2ª parte

Terminei a primeira parte dessa análise dizendo que não acredito que a série de manifestações pelo Brasil seja algo espontâneo, apesar do fato de ninguém, grupo ou pessoa ter reivindicado sua liderança. São diversas bandeiras, milhares de reinvindicações e isso dificulta qualquer análise sistemática. O que dá a sensação de espontaneidade a isso é o fato de que as insatisfações populares não são recentes e vêm se acumulando há muito tempo com os reincidentes escândalos políticos que aparecem no país. Apesar disso como já afirmei não se pode apontar que tudo isso ocorreu naturalmente sem intervenção de grupos que há muito tempo em nome da democracia visam na verdade implantar um programa autoritário com o intuito de cada vez mais estender a ação estatal até que o Estado interfira nas mais básicas ações da vida particular.
 Boa parte dos manifestantes não tem a mínima ideia de que mesmo ao levantar bandeiras com justas reivindicações, como a diminuição dos gastos públicos, auxiliam o projeto que em longo prazo tem o objetivo justamente de promover o contrário.  Isso acontece porque quem está preparado para colher os frutos, menos os amargos, dessa “revolução popular” não são aqueles que representam a vontade do povo, são o que tem uma agenda progressista que já está sendo posta em movimento há muito tempo.
As reações governamentais já começaram e o populismo está “correndo solto”. Com medo do que as multidões vão dizer já articulam projetos no sentido contrário do bom senso que deve prevalecer, pois as multidões não são confiáveis no sentido da promoção da justiça como nos aponta o excepcional trecho transcrito abaixo.

“Sócrates- Logo, meu excelente amigo, não é absolutamente com o que dirá de nós a multidão que nos devemos preocupar, mas com o que dirá a autoridade em matéria de justiça e injustiça, a única, a Verdade em si. Assim sendo, para começar, não apontas o bom caminho quando nos prescreves que nos inquietemos com o pensamento da multidão a respeito do justo, do belo, do bem e de seus contrários. A multidão, no entanto, dirá alguém, é bem capaz de nos matar.”

Fonte: Platão. Critão (Críton) ou do Dever