Uma ideia entranhada na mentalidade das pessoas é que o capitalismo, o que quer que isso seja, iniciou a desigualdade social quando a desigualdade é um fenômeno histórico universal, apesar da falsidade que introduz a noção de que em tribos a desigualdade seja quase inexistente, negando assim a estrutura hierárquica tribal. De fato, a desigualdade em certas tribos é menor do que em grandes sociedades com base em economia de mercado, mas é necessário dizer que tal igualdade reflete a distribuição igualitária da pobreza já que a escassez, como lei econômica permanece intacta.
Em busca de sabedoria em tempos de relativismo professo. Talvez um pouco de classicismo seja necessário, um retorno aos paradigmas perdidos... Procuro dessa forma momentos de lucidez para além de razões e desrazões extremadas. Neste blog coloco à vossa disposição textos de minha autoria nos quais como católico apostólico romano busco alcançar sabedoria verdadeira. Com a graça de Deus poderei combater o bom combate contra a mentira que reina quase absoluta hodiernamente. ¡VIVA CRISTO REY!
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sábado, 18 de outubro de 2025
sábado, 28 de março de 2020
Vida ou economia?
Muita gente quando ouve falar em economia pensa no tio Patinhas mergulhando em moedas de ouro. Nada mais caricatural ao ser falar sobre o tema. Opor economia e sentimento humanitário é uma falácia. A economia enquanto ciência remonta a Adam Smith que a tratava como vinculada à política, mas poderíamos ir ainda mais longe até Aristóteles, no entanto, este é um comentário de facebook e não um tratado de economia. Enquanto ciência a economia trata da escassez e lidar com isso é fundamental para a nossa sobrevivência e opor essa função econômica a um sentimento humanitário é um contrassenso, já que o fim da economia é justamente ponderar racionalmente o uso de recursos para que o homem viva bem. Como na vida há sempre uma hierarquia de valores não podemos projetar como fim da vida humana a própria economia ou considerar que a economia seja o fundamento de toda realidade humana como fez Marx. A questão é ter senso de proporção e colocar a economia em seu devido lugar, ou seja, a serviço do homem. Então quem se aproveita de situações como a atual para fomentar essa oposição não entendeu nada do significado de economia e acho que também de sentimento humanitário, pois desconsidera o peso que a quebra da ordem econômica e consequentemente social pode gerar em termos de acesso a alimentos, medicamentos, saneamento básico, entre outros. Pensar nessas questões não torna ninguém desumano e aí está a história para nos mostrar.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Coisas da elite...
Como típico representante da elite branca paulista fui fazer compra num supermercado de bairro perto de onde moro aqui em BH (região do bairro S. Gabriel) e fiquei penalizado. Comprei poucos legumes e um pouco de carne e a pequena compra semanal ficou no equivalente a 10% do salário mínimo, mas não foi isso que me consternou. Na fila para pedir ao açougueiro havia um senhora na minha frente dizendo que só estava comendo frango e que queria variar um pouco na hora de fazer a marmita do filho. A coitada quase caiu para trás quando o açougueiro disse o preço da carne bovina e ela com simplicidade tirou duas notas amassadas da bolsa e pediu bifes de carne suína que dessem até completar o pouco valor que ela tinha. Começamos então a analisar como a inflação tem acometido as classes mais pobres, a senhora, o açougueiro e eu todos representando a elite opressora que inventa esse papo de crise para desestabilizar o governo. Como diz um humorista cá pra essas bandas: "é muidíficiu"...
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Inversão de prioridade
Muito comum entre os meios protestantes a “teologia da prosperidade” tem sido também adotada por católicos desavisados que associam as graças e bençãos de Deus ao montante das contas bancárias ou à ausência de sofrimentos. Pode-se ser rico e não agradar a Deus (cf. Mt 19, 24. Mc 10, 17-27. e Lc 18, 25.), como também ter posses e sendo desapegado desses bens terrenos agradar a Deus. Por outro lado uma pessoa pobre que cumpre os preceitos divinos é agradável aos olhos de Deus, enquanto a pessoa pobre que é revoltada com Ele por sua condição descumpre Seu projeto endereçado aos seus filhos. Desconsiderar tais possibilidades é desconsiderar a realidade mesma da salvação.
Se a vertente que prioriza os benefícios econômicos erra, também erra a vertente que valoriza em demasia a pobreza econômica, considerando-a um critério de santidade superior. A proposta da TdL (Teologia da Libertação) exemplifica esse tipo de raciocínio equivocado como diz Fr. Dr. Clodovis Boff (cf. o artigo “Teologia da Libertação e volta ao fundamento”[1]) por promover a inversão Jesus – pobre centralizando a figura deste.
Ambos os erros partem de um núcleo comum que é a visão materialista[2] do mundo, notadamente priorizando a análise sócio-econômica do ser humano. A preocupação cristã como se sabe é primeiramente com a salvação da pessoa independentemente de sua condição econômica, afinal todos são chamados a se converter. Se Jesus se dirigiu sobremaneira aos pobres, que eram os mais sofridos era porque estes necessitavam mais e estavam mais desamparados, inclusive do ponto de vista religioso, e, por isso, aproximavam-se mais de Jesus e por Ele recebiam a cura. No entanto, existem relatos evangélicos que nos mostram que Jesus não fazia acepção sociais (cf. Mt 8, 5-13).
A preocupação primeira da Igreja é com a observância da Palavra de Deus e a proclamação da Boa Nova aos povos, mas como vemos nos relatos das primeiras comunidades cristãs os assuntos práticos também têm importância:
1.Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária.2.Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar.3.Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício.4.Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra. 5.Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.6.Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos.7.Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé. (At 6, 1-7 – Edição Ave Maria) Disponível em: http://www.bibliacatolica.com.br/01/51/6.php#ixzz1nKAgVWLq
Percebe-se que mesmo não sendo principal há uma preocupação econômica, no sentido clássico do termo, e social por parte dos apóstolos. Existe, pois uma relação hierárquica entre as duas dimensões sagrada e temporal. O problema das “teologias” mencionadas no início deste texto não é portanto sua preocupação com as questões temporais, mas com a centralização dessas frente às prioridades da Igreja em relação à salvação por meio dos sacramentos e da preservação da moral cristã, bem como da guarda das prescrições da Tradição, do Magistério e das Sagradas Escrituras. Toda inversão de prioridade é perniciosa e prejudica a retidão católica.
Lino Batista
[1] Apesar de não tão incisivo o artigo demonstra alguns erros presentes no decorrer das análises dos teólogos da TdL Ele está disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33508.
[2] Por mais que se difundam em tendências “espiritualistas” os erros mencionados ainda se fundam numa visão dualista do ser humano e recaem em perigosos monismo como desenvolvi em postagens anteriores.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Sobre Economia e Ética: abordagem inicial
Mais uma crise econômica
mundial foi deflagrada, desta vez no início do mês passado e presidentes, ministros e
economistas concederam entrevistas tentando acalmar os ânimos ou propor
soluções mais ou menos radicais. Nesses discursos percebe-se claramente a
preocupação com impactos econômicos de uma crise, a menção esporádica e
secundária de seu impacto social e o quase nulo referimento às implicações
éticas de uma crise global. Quando nos deparamos com os diversos depoimentos
verificamos que a economia ou as relações econômicas são determinantes para
todas as escolhas, cortes de gastos – ainda que em serviços essenciais –
medidas para se preservar o mercado, o crescimento e o lucro. O horizonte
máximo de perspectiva é dado não pela bondade ou ordenamento dos atos tendo em
vista o bem ou algo que lhe equivalha, mas tão somente a “saúde” do mercado.
O mercado é
“antropomorfizado” através de adjetivos como nervoso, calmo, satisfeito e ele
assume o estatuto de uma espécie de entidade à qual devemos nossas vidas.
Qualquer semelhança com os antigos deuses não é mera coincidência. Põe-se em
relevo também a questão valorativa: estaria a economia a serviço do homem? O
que se verifica nas repercussões sobre a crise é a de justamente se recuperar
dela e retornar a crescer. O que não se explicita é o crescer para onde e para
quê. Alguns dizem que com o crescimento econômico e tecnocientífico as pessoas
terão mais acesso a suas benesses e suas vidas melhorarão. Entretanto, os fatos
não confirmam esta tese, afinal milhões de pessoas ainda morrem sem o acesso a
serviços básicos e a disparidade entre ricos e pobres se eleva.
Ora, diz-se que a
economia está a serviço da humanidade – os governantes geralmente – mas a
prática é outra, as ações não acompanham os discursos. O sistema financeiro é o
centro das ações políticas e a personificação do mercado é retrato mais
evidente disso, levam-se em consideração assim suas “emoções” nem sempre
explicadas ou explicáveis. Uma das "explicações" possíveis seria a de que a
economia associada à tecnociência se configura como único espaço possível de
objetividade, mas ausenta-se princípios normativos claros para orientá-la.
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