O intelectual moderno é um médico pelas metades. Costuma ser um bom especialista em diagnósticos e péssimo ao oferecer o tratamento. Para salvar um membro mata o paciente todo, vide os materialistas que para "salvarem" os fenômenos imanentes destroem por completos os transcendentes.
Em busca de sabedoria em tempos de relativismo professo. Talvez um pouco de classicismo seja necessário, um retorno aos paradigmas perdidos... Procuro dessa forma momentos de lucidez para além de razões e desrazões extremadas. Neste blog coloco à vossa disposição textos de minha autoria nos quais como católico apostólico romano busco alcançar sabedoria verdadeira. Com a graça de Deus poderei combater o bom combate contra a mentira que reina quase absoluta hodiernamente. ¡VIVA CRISTO REY!
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sábado, 17 de outubro de 2026
terça-feira, 16 de setembro de 2025
Pensamento avulso CXL
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Pensamento avulso CXXXI
domingo, 1 de junho de 2025
Pensamento avulso CXXVI
A agitação política é um reflexo mais amplo da agitação interior. A modernidade vem exaltando há séculos o homem prático e a ação. Com isso, até mesmo na religião a contemplação foi anulada. Hoje colhemos os frutos desse processo.
sábado, 6 de abril de 2024
Política: do bem comum ao jogo de poder
O conceito de política é um conceito que, tomando de
empréstimo a lógica aristotélica, chamaríamos de equívoco em nosso contexto, ou
seja, um conceito em que para um único nome ou termo há diferentes conceitos mentais
associados. Isso significa que apesar do nome “política” ser único, há
diversidade de significados que variam ao longo da história.
A fins didáticos iremos distinguir neste texto duas grandes
matrizes de definição do que é política, buscando transformar esse conceito num
conceito análogo, onde tomando de empréstimo os dizeres do filósofo brasileiro
Mário Ferreira dos Santos, obtenhamos uma “síntese da semelhança e da diferença”
entre as duas visões de política.
Podemos dizer, em linhas gerais, que em qualquer cenário a
política diz respeito à sociabilidade humana e às relações de poder. No
entanto, o entendimento acerca desses fundamentos da política não implica numa
mesma definição desta. Como já dissemos, há duas linhas que iremos investigar.
A primeira advém da compreensão clássica que permeou a
filosofia política desde a Antiguidade ao Medievo. Essa compreensão é definida
por alguns estudiosos das ciências sociais, como idealismo político.
Certamente esse é um termo controverso, mas que resumidamente indica que a
visão clássica colocaria a teoria sobre o que deveria ser a política à frente
da política concreta, como se o que deve
ser estivesse acima daquilo que é.
Se observarmos mais atentamente as obras de política de um Aristóteles ou de um
Raimundo Lúlio, por exemplo, vemos que não há uma sobreposição da teoria sobre
a prática, do vir a ser sobre o que é, mas a busca pela
universalidade própria da Filosofia ou do entendimento da realidade concreta
por meio de valores e princípio universalizáveis.
Em meio à essa definição clássica podemos considerar que a
política deve ser vista como a busca pelo bem comum. Política e ética, nesse
contexto, são complementares, devendo a política refletir o bem próprio do
horizonte moral:
O governo que serve ao interesse dos governantes é tirânico. Só o
governo que promove a vida boa dos governados é bom.
[...] Para ser bom, o governo tem de ter uma autoridade
reconhecida e aceita pelos governados, não o mero poder ou força ao qual eles
se submetem por medo. (ADLER, 2010, p. 127)
Apesar das divergências acerca da política ao longo dos
séculos, o núcleo conceitual comum permaneceu inalterado, entretanto as
circunstâncias históricas, bem como sua análise conceitual, alterou-se e na
virada que erigiu a Modernidade uma nova forma de enxergar a política surgiu. Para
contextualizar e nos situarmos historicamente cabe mencionar alguns eventos do
período como a queda do império romano no Oriente em Constantinopla (1453), as
Grandes navegações (séc. XIV-XV) e as Guerras Italianas entre 1494 e 1559.
É nesse contexto que Nicolau Maquiavel (1469-1527) tem uma
percepção sobre a política que promove uma reviravolta na história das ideias,
inaugurando o que muitos teóricos convencionaram chamar de realismo político,
bem como a ciência política. Em oposição aos “idealistas políticos”, a proposta
era partir da realidade “nua e crua” daquilo que passou a ser o núcleo da noção
de política, a saber, o conceito de poder.
Em sua obra prima, “O Príncipe”, Maquiavel lança mão de seus
principais conceitos que exploraremos a seguir. Essa obra que a princípio
serviria de manual ao príncipe, no caso Lourenço de Médici (1492-1519) a quem
dedicou o livro, tornou-se base de entendimento para a nova visão de política
que até hoje é fundamental para compreendermos a política não apenas na
dimensão da ciência política, mas principalmente na prática da política.
Para delimitarmos nossa exposição focaremos em dois pontos principais:
a separação entre ética e política e a virtù
(virtude) necessária ao exercício do poder pelo príncipe. Se o horizonte da
política na Antiguidade era o bem comum, na Modernidade o núcleo da política
torna-se a conquista e manutenção do poder. Nesse conceito se destaca a
separação entre ética e política, afinal nesse processo de manutenção do poder,
o príncipe estaria justificado a agir em desconformidade com os valores e
princípios morais socialmente aceitos, como podemos observar no trecho abaixo:
Donde é necessário, a um príncipe que queira se manter, aprender a
não ser bom e usar ou não da bondade, segundo a necessidade. (MAQUIAVEL, 1986,
p. 90)
Podemos perceber com isso, que de um lado, a ética
(moralidade) está inserida na esfera privada, enquanto a política está inserida
na esfera pública. Fica a questão prática: como o príncipe deve agir politicamente?
Frente ao cenário da distinção citada, primeiramente o político deve ser capaz
de captar o amor e o temor dos seus súditos, mas na incapacidade de alcançar
ambos, seria preferível alcançar o temor. Para gerir o horizonte do poder, o
príncipe deveria ter em mente dois conceitos: o de virtù e fortuna. Este
teria a ver com as situações que escapam do controle do governante, enquanto
aquele teria a ver com a capacidade do príncipe em lidar com tais situações.
Poderíamos exemplificar essa relação com uma situação
prática em que haja uma situação de seca em que os grãos estão sendo produzidos
em baixa quantidade. O príncipe não teria responsabilidade com a seca
diretamente, mas deve ser capaz tanto de se precaver quanto de agir de tal modo
que os grãos produzidos, ainda que em menor quantidade possam atender os
súditos.
Referência bibliográfica:
ADLER, Mortimer J. Aristóteles para Todos. tradução. Pedro Sette-Câmara. São Paulo: É
Realizações, 2010.
MAQUIAVEL,
Nicolau. O Príncipe.11 ed. tradução. Roberto
Grassi. São Paulo: Bertrand Brasil, 1986.
segunda-feira, 25 de março de 2024
O que é Filosofia?
A pergunta que intitula nosso texto é das mais comuns quando
alguém, principalmente estudante, depara-se pela primeira vez com a matéria.
Diferentemente das demais disciplinas escolares em que o objeto de estudo é bem
determinado e específico, a Filosofia tem uma amplitude investigativa mais
extensa. Isso significa que a Filosofia é uma disciplina que tem aspiração à
universalidade, enquanto as outras disciplinas são particulares, ou seja, a
Filosofia tenta enxergar o todo dando-lhe uma unidade cognoscível[1], enquanto as ciências buscam analisar ou compreender objetos
específicos.
Para compreender essa relação podemos fazer uma analogia com
o jogo de xadrez. Enquanto as ciências como a Física e a História, por exemplo, focariam em peças específicas como um peão ou uma torre, a Filosofia veria o
tabuleiro como um todo relacionando as peças entre si.
Com as considerações acima temos um esboço da resposta ao
que é Filosofia, a saber, um conhecimento sobre a totalidade ou conjunto dos
próprios conhecimentos adquiridos. Ao longo de sua história, a Filosofia teve
alterações em sua abordagem, mas essa busca parece ser sua sina. Além dessa
busca a definição clássica, ou seja, desenvolvida entre os filósofos gregos
Antigos como Platão e Aristóteles, passando pelos pré-socráticos e helenistas,
tinha por base o uso da razão natural
como instrumento de entendimento da realidade em sua totalidade. Eis então o
substrato ou essência da filosofia clássica que se manteve durante séculos como
paradigma da filosofia como podemos observar no trecho abaixo:
“A filosofia é um conjunto de conhecimentos naturais metodicamente
adquiridos e ordenados, que tende a fornecer a explicação fundamental de todas
as coisas.” (RAEYMAEKER, 1969, p.
36)
Podemos verificar que Raeymaeker destaca, como dissemos acima, os termos “conhecimentos” e “todas as coisas” que representam a racionalidade e
universalidade próprias do saber filosófico. Entretanto, podemos perceber
outras duas dimensões fundamentais da filosofia clássica que ainda hoje serve
de bússola aos filósofos contemporâneos, a saber, a ordem e o caráter natural do empreendimento filosófico. O primeiro
indica que há uma organização e métodos no “trabalho” do filósofo que procede
ordenadamente, supondo também uma ordem na realidade. Já o segundo ponto indica
que a filosofia se limita ao conhecimento natural não recorrendo a elementos
sobrenaturais em suas investigações, ainda que muitos filósofos reconheçam e
pressupunham uma realidade sobrenatural.
Referência bibliográfica:
RAEYMAEKER, Luís de. Introdução à Filosofia. 2. ed. tradução. Alexandre Correia. São
Paulo: Herder, 1969.
[1] Que
pode ser conhecida.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2024
Pensamento avulso XCIII
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
Pensamento avulso XCI
sábado, 9 de julho de 2022
Pensamento avulso LXIX
Segue a segunda lição que podemos retirar da teologia de Bulltmann:
2) O afastamento do Magistério e da Tradição impossibilita, sim impossibilita a compreensão das Sagradas escrituras. Como dissemos anteriormente sobrou a Bultmann uma erudição vazia de sabedoria. Sua teologia muito apegada ao cientificismo da virada dos séculos XIX-XX teve de se apegar numa hermenêutica que tomasse todos os testemunhos dos escritores sagrados como símbolos, como figuras de linguagem. Tudo isso para a mensagem evangélica "cair" bem, em tese para uma sociedade em que os mitos não repercutiam, quando na verdade, numa linguagem bem clara e popular, o que se pretendia era tornar o Evangelho palatável a intelectuais pedantes e amantes de abstrações como bem explicou Chesterton ao dizer que estes deixavam de ser homens quando se esforçavam para se tornarem humanistas.
quinta-feira, 19 de maio de 2022
Pensamento avulso LXVIII
A teologia de Rudolf K. Bultmann que fez a cabeça de muitos no século XX e continua fazendo suas "vítimas" nos traz duas lições. Segue abaixo a primeira delas:
1) Erudição e sabedoria podem ser inversamente proporcionais, ou seja, há como ser sábio sem erudito, bem como pode-se ser erudito sem ser sábio. Os poucos que conseguem alcançar ambos elevam consigo a muitos aliviando-os parcialmente do peso da ignorância que acompanha a maldade.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
Pensamento avulso LXVII
A moralidade tem um princípio externo que é o próprio Deus e outro princípio interno que em última instância também se direciona a Deus, já que temos a marca de Deus em nosso íntimo, afinal fomos criados à Sua imagem e semelhança.
sábado, 4 de dezembro de 2021
Sobre a relação entre Filosofia e Teologia
Antes de respondê-la é
necessário fazer algumas considerações importantes. Primeiramente é preciso
deixar claro que os conhecimentos de filosofia e teologia não são necessários à
salvação. A doutrina de Cristo abarca sábios e ignorantes, sendo a salvação
dada pela graça divina diferentemente das doutrinas gnósticas em que
conhecimentos iniciáticos esotéricos, ou seja, conhecimentos fechados num grupo
de iluminados são exigidos para se elevar espiritualmente e se salvar.
O segundo ponto é que nem
toda filosofia é compatível com a teologia cristã, pois que muitas filosofias
negam a dimensão sobrenatural ou mesmo a legitimidade da fé. Além disso, há que
se atentar para a superioridade da teologia sobre a filosofia, tanto pelo seu
objeto, no caso o próprio Deus, quanto por sua abrangência já que a filosofia
está restrita aos limites da razão natural, enquanto a teologia pressupõe a fé
sobrenatural, uma virtude teologal.
Feitas tais considerações
podemos lidar diretamente com a pergunta recorrendo à afirmação de S. Tomás de
Aquino de que a “graça pressupõe a natureza”[1]. Isso significa dizer que
nós, diferentemente das criaturas angélicas, somos constituídos de um corpo
material, logo não somos “puro espírito” recebendo, por exemplo, as graças
sacramentais por meio de elementos naturais como no caso do batismo em que a
matéria sacramental é a água. Desse modo, para compreendermos a ação de Deus na
história que se dá por intermédio de sua Criação faz-se preciso o uso da razão
natural que é capaz de apreender as causas, afinal como diria Aristóteles
reafirmado por S. Tomás de Aquino: conhecer é conhecer as causas.
Se
concordarmos com o princípio filosófico[2] de que falamos por
palavras enquanto Deus nos fala pelas palavras e pelas coisas não é de pouco
valor o conhecimento das coisas, proporcionado pela inteligência em que a razão
se dirige ao seu objeto próprio. Assim, sendo a filosofia a máxima ciência no
que tange ao uso da razão é, até mesmo por sua universalidade, fundamental na
compreensão da natureza criada por Deus. Como a teologia, que é a Ciência da
Graça não pode também como a própria graça prescindir do que é natural, é
preciso que ela recorra à máxima ciência do natural para que os efeitos da
própria graça se tornem para nós inteligíveis, ou seja, devidamente
compreensíveis. A implicação disso é que a filosofia é necessária à teologia
como a ciência que lhe concede o aparato conceitual para que nossa inteligência
compreenda aquilo que lhe é possível no horizonte do mistério, ainda que
saibamos que só a fé como nos diz o Tantum
ergo no hino Pange lingua é capaz
de completar as lacunas dos sentidos.
Para nossa resposta não
ficar demasiada teórica podemos recorrer ao seguinte exemplo para deixá-la mais
clarividente: diz a doutrina que com a elevação da hóstia e do cálice pelo
sacerdote, juntamente à pronúncia das palavras do cânon, o pão e o vinho se
convertem no corpo e sangue de Cristo. Obviamente essa é uma sentença que nos
toca a fé, no entanto, temos diante de nós a matéria do pão e do vinho. Desse modo
resta a questão: o que houve nesse momento tão sublime? Respondem os teólogos:
houve a transubstanciação que consiste na mudança substancial do pão e do vinho
sem a alteração de seus acidentes. Tal distinção explicada por S. Tomás de
Aquino advém da metafísica, que é matéria filosófica, mais especificamente da
metafísica aristotélica onde a substância é constituída pela essência e pelo
acidente.
A essência seria o que o ser
(ente) de fato é, aquilo que o define enquanto tal. Já os acidentes consistem em
atributos que são, mas que poderiam ser de outra forma sem alterar sua
essência. Como o que define o homem, em última instância, é sua alma racional,
enquanto sua altura seja 1,7; 1,8 ou 1, 95m não o define essencialmente. Assim,
pão e vinho substancial e essencialmente se tornam Cristo mesmo, mas mantêm
seus atributos materiais acidentais. Podemos perceber com isso que a teologia
usa conceitos filosóficos para explicar parcialmente fenômenos “teológicos”.
Espero com essas palavras
ter dissipado a dúvida apresentada, bem como ter contribuído para um
entendimento mais amplo acerca do papel da filosofia no estudo da teologia.
Que Maria Santíssima
interceda a Deus por nós!
[1]
“A fé pressupõe
o conhecimento natural, como a graça pressupõe a natureza, e a perfeição o que
é perfectível”. “Fides praesupponit cognitionem naturalem, sicut gratia
naturam, et ut perfectio perfectibile” Fonte: TOMÁS DE
AQUINO. Suma teológica. Ia, q. 2, a. 2., ad 1.
[2]
Mais do que um
princípio filosófico essa afirmação constitui uma sentença teológica como deixa
evidente a afirmação de S. Boaventura: “Como,
porém, Deus não fala só pelas palavras, mas também por fatos - pois que sua
palavra é ação e sua ação é palavra -, e como todas as criaturas, como efeito
de Deus, acenam para sua causa: por isso, ·o que foi divinamente legado na
Escritura não
deve significar apenas palavras , mas
também fatos.” (BOAVENTURA, São. Brevilóquio. BOAVENTURA, São. Obras escolhidas. Org. Luis Alberto De
Boni; tradução Luis Alberto De Boni, Jerônimo Jerkovié e Frei Saturnino
Schneider. Porto Alegre, Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Liv.
Sulina Ed.; Caxias do Sul, Editora da Universidade de Caxias do Sul, 1983.)
domingo, 24 de outubro de 2021
Santo Agostinho: um breve comentário
A história da Igreja nos regala com um grande número de conversões
grandiosas como a do escritor inglês G. K. Chesterton, para citar um nome
relativamente próximo de nós historicamente. Tais conversões são preciosas em
vários sentidos e nos mostram a efetivação da parábola do Bom Pastor. Quando se
fala de grandes conversões um nome que vem à mente de muitas pessoas é o de
Santo Agostinho de Hipona, conversão esta fruto das incansáveis orações de sua
mãe S. Mônica.
Agostinho fora um jovem errante e sua conversão se deu aproximadamente
aos 33 anos após grande inquietação que o levou do neoplatonismo ao
maniqueísmo. Sua história de conversão é extremamente interessante, mas não
será o objeto deste texto. Aos interessados aguardem novos textos e acompanhem
o segundo módulo do curso de Introdução à Filosofia Cristã que será divulgado
nos meios eletrônicos.
O objetivo aqui é compreender alguns elementos da filosofia e teologia
do bispo de Hipona. Nesse intento iremos recorrer à pintura em óleo sobre tela
do pintor Philippe de Champaigne, um dos mais talentosos artistas do século
XVII que passou a se dedicar a obras sacras após a cura milagrosa de sua filha
e que nos brindou com um belo retrato de S. Agostinho, apesar de suas
inclinações ao jansenismo.
A ideia aqui é partindo da contemplação da obra oferecer uns poucos
elementos interpretativos da filosofia cristã em geral e da agostiniana em
particular. Primeiramente gostaria de destacar que a pretensão aqui é singela
tanto no aspecto de análise estética, não sou crítico de arte, quanto no âmbito
filosófico e teológico. Feitas essas exposições iniciais podemos começar nossas
considerações.
O ser humano é dotado de sensibilidade, vontade e inteligência,
voltadas respectivamente ao belo, ao Bem e à Verdade. Com a perda dos dons
preternaturais, oriunda do pecado original, tal ordem foi desvirtuada e a
sensibilidade se voltou ao feio, ao desproporcional, enquanto a vontade e a
inteligência se voltaram ao mal e à mentira, respectivamente. Para que tal
desordem se desfaça é preciso que o ser humano busque auxílio na graça divina.
E ao busca-la ele perceberá que Deus habita a sua própria alma, chegando o
santo a expressar: “Deus nos é mais íntimo, que o nosso próprio íntimo”
(Confissões III, 6, 11; 53,10).
Observando a pintura de Philippe de Champaigne podemos analisar tal
reordenamento da sensibilidade para a vontade e da vontade subordinada à
inteligência da seguinte forma: A verdade representada pelo Sol (acima), em que podemos
ver escrito em latim “veritas”, que é próprio Cristo, a luz do mundo, ilumina a
“cabeça”, ou seja, a inteligência e abrasa o coração (abaixo) que representa a vontade
que coberta pela chama ardente da Verdade leva o homem ao Bem, ao reto caminho.
Dessa forma, por intermédio da graça divina o ser humano é capaz de
encontrar-se a si próprio encontrando a Verdade mesma que habita a profundidade
de seu íntimo. Cabe aqui mencionar também que a vontade é o terreno do
livre-arbítrio que se estiver ordenado à Verdade possibilita ao homem ser
livre, sendo por sua vez a liberdade vinculada ao Bem. Só se é verdadeiramente
livre quando se conhece a Verdade e se orienta por ela e, em última instância,
a Verdade é o próprio Cristo como também o é o Bem.
Outro ponto que gostaria de destacar na pintura é em relação ao que se
encontra sob os pés do santo. Trata-se de livros do monge Pelágio e
provavelmente de Juliano de Eclano, ambos adeptos da heresia pelagiana. Tal
detalhe torna a pintura ainda mais instigante e recomendável, afinal não bastou
ao santo encontrar a verdade, mas lhe coube combater o erro e a mentira, pois a
luz da verdade é como a lâmpada mencionada por Nosso Senhor: ela deve ser posta
à vista, bem como as trevas devem ser dissipadas.
Como foi dito no início, este texto têm poucas pretensões, pois nossa
expectativa é desenvolver mais detalhadamente o assunto no curso de Introdução
à Filosofia Cristã oferecido por mim junto à Associação Cultural São Filipe
Néri. Informações sobre inscrições e mais informações serão divulgadas oportunamente.
Que Maria Santíssima interceda a Deus por nós!
sábado, 17 de julho de 2021
Pensamento avulso LXIV
Algumas leituras são libertadoras. Cito, por exemplo, o livro "Imposturas Intelectuais" de Alan Sokal e Jean Bricmont. Eu lia alguns textos de aclamados filósofos pós-modernos e pensava o seguinte: "eu sou muito burro, não estou entendendo nada". No entanto, esse livro me tirou um peso, pois ainda que haja muita coisa em que minha ignorância dá o ar de sua graça, não foi esse o caso. De fato, grande parte desses escritos são confusos e ilógicos neles mesmos, além de fazerem mau uso de analogias com as ciências naturais e a matemática. Ver esses textos expostos em suas incoerências e exageros hermenêuticos gera um efeito catártico numa inteligência contaminada por tais filosofias.
Pensamento avulso LXIII
domingo, 24 de maio de 2020
Pensamento avulso XLVII
sábado, 11 de abril de 2020
Aprender a morrer é aprender a viver
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Questões filosóficas em quarentena - parte 1 e 2
1) A ciência por mais avançada formal e materialmente que seja mantém um grau de probabilidade e incerteza. Isso decorre de seu próprio método em que o recorte da realidade se faz necessário. Isso gerou tal especialização que não raramente os cientistas se tornam incapazes sequer de posicionar seu objeto de estudo num quadro mais amplo, onde seu objeto é apenas mais um numa gama de outros objetos e fatores que não poucas vezes afeta seu próprio objeto. Na prática o cientista perde a sensibilidade para estabelecer conexão entre fenômenos que escapam ao seu método e ao seu recorte. Isso quando não se torna ignorante ao que não seja "científico" de acordo com seus pressupostos.
2) Diz-se que Maquiavel inaugurou uma nova forma de ver e fazer política. Acredito que o mais correto seja dizer que ele percebeu um movimento que estava acontecendo e lhe deu um acabamento teórico. Desde então, infelizmente, duas coisas se tornaram moda: de um lado separar a dimensão ética da dimensão política e aí vem a questão: caso não exerça as virtudes cardeais em sua vida privada como pode o político levar o povo a pratica-las. Diria uns que isso não cabe à política, mas aqui me volto à Aristóteles e a ciência política como ciência arquitetônica do bem comum. De outro lado, a noção de que o temor supera o amor também prevaleceu, mas se a fórmula permanece, novas formas sofisticadas e atuais de medo superam as antigas, não mais prisões políticas, campos de concentração como os gulags. No lugar quem sabe um terror cibernético ou... bem no fim das contas algum poderoso pode voltar às formas antigas de terror.
domingo, 8 de novembro de 2015
Pensamento avulso XX
sábado, 14 de março de 2015
Conceitos Filosóficos e principais filósofos pré-socráticos
Filósofo
|
Elemento primordial/Princípio
ordenador
|
Fragmentos
|
Tales
de Mileto (625-558 a.C.)
|
Água
|
“... a água é o princípio de todas as
coisas...”.
“... todas as coisas estão cheias de
deuses...”.
|
Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.)
|
Ápeiron
(O Ilimitado)
|
“... o ilimitado é eterno...”
“... o ilimitado é imortal e
indissolúvel...”
|
Anaxímenes de Mileto
(588-525 a.C.)
|
Ar
|
“... do ar dizia que nascem todas as
coisas existentes, as que foram e as que serão, os deuses e as coisas
divinas...”
|
Xenófanes de Cólofon (570-528 a.C.)
|
Terra
|
“... tudo sai da terra e tudo volta à
terra...”
“... tudo o que nasce e cresce é terra
e água..."
|
Heráclito de Éfeso (540-476 a.C.)
|
Fogo
|
“... tudo flui...”
“... Tudo se faz por contraste; da
luta dos contrários nasce a mais bela harmonia...”
“... descemos e não descemos nos
mesmos rios; somos e não somos...”
|
Pitágoras de Samos (571-496
a. C.)
|
Número
|
“... o princípio
das matemáticas é o princípio de todas as coisas.."
|
Parmênides de Eléia (530-460 a.C.)
|
“... pois pensar e ser é o mesmo...”
“... o ser é, e o nada, ao contrário,
nada é...”
“... resta-nos assim um único caminho:
o ser é...”
|
|
Empédocles de Agrigento (490-435 a.C.)
|
Quatro elementos:
Terra, fogo, terra e ar.
|
“... duas coisas quero dizer; às
vezes, do múltiplo cresce o uno para um único ser; outras, ao contrário, divide-se
o uno na multiplicidade..”
|
Anaxágoras de Clazomena (500-428 a.C.)
|
Homeomerias (sementes invisíveis)
|
“ ... Todas as coisas estavam juntas,
ilimitadas em número e pequenez, pois o pequeno era ilimitado...”
|
Demócrito de Abdera (460-370 a.C.)
|
Átomos (partículas indivisíveis)
|
“...os homens fizeram do acaso uma
imagem
como pretexto para a sua própria imprudência...”
|

