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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Apostila de História de Belo Horizonte para crianças - cap. IV

 CAPÍTULO 4: NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM DO CURRAL DEL REY


Belo Horizonte, como outras centenas de cidades brasileiras, sempre foi marcada pela devoção católica. Por mais pecadores que os homens da época fossem, não deixavam de agradecer a Deus pelo sucesso das expedições que faziam. Podemos incluir os bandeirantes entre esses homens, como  foi João Leite da Silva Ortiz, um bandeirante de origem paulista que, como vimos no capítulo anterior, foi um dos nomes de destaque na história de Belo Horizonte.


Em meio à busca pelo ouro nas “minas gerais”, o território que hoje chamamos de Belo Horizonte foi sendo ocupado como um local de produção rural de alimentos para os mineradores da época que transitavam entre a Vila Rica (Ouro Preto) e Sabará. Por ser uma terra com água em boa quantia, com vários córregos e ribeirões, a existência de fazendas e hortas era favorecida. Com isso o povoamento da região ocorreu em torno dessas atividades agrárias. No capítulo anterior vimos que duas versões da história são contadas, mas quanto aos documentos disponíveis do período sabemos que:


“Conseqüentemente, o que está provado é que a freguesia¹ da Boa Viagem foi criada pelo Cabido² Sede Vacante do Rio de Janeiro anteriormente a 1714: foi proposta para capela curada em 1721; foi de novo freguesia em 1723; sendo erigida em nova vigararia³ colada, pelo rei, em 1752.” (BARRETO, Belo Horizonte, p. 161)


No período em que a Igreja Católica contava com o respeito dos líderes do povo, esse reconhecimento da freguesia da Boa Viagem representava muito para a população local, já que haveria a presença de um padre (cura) para atender os fiéis e a garantia de que o governo reconheceria a legitimidade do arraial.


1) Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral Del Rey


Como foi dito no início do capítulo, a devoção católica era um marco do Brasil na época em que era colônia de Portugal e a terra que seria chamada de Belo Horizonte futuramente não era diferente. A Arquidiocese de Belo Horizonte nos conta que a devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem é uma herança recebida do viajante e navegador português Francisco Homem del Rey que tendo sobrevivido aos grandes desafios em meio ao mar, trouxe consigo para os pés da Serra de Congonhas (Serra do Curral) uma escultura de Nossa Senhora da Boa Viagem (imagem ao lado), onde foi construída uma pequena capela de pau a pique. De acordo com a Arquidiocese: “Essa imagem é a mesma que hoje se encontra no altar do lado direito do templo (lado da Epístola)” (ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE, Antiga Sé da Boa Viagem, s.p.). 

A devoção à Nossa Senhora da Boa Viagem foi crescendo de tal forma que a capela não mais comportava a quantidade de peregrinos, principalmente tropeiros que a visitavam. Os tropeiros eram homens que trafegavam em tropas ou comitivas com mulas e outros animais de gado. Junto aos bandeirantes, os tropeiros foram responsáveis pela criação de cidades no interior do Brasil à medida em que eram criadas vendas e outros comércios ao longo do caminho percorrido pelos tropeiros, que levavam gado e outras mercadorias para serem comercializadas de uma região para outra. O Curral Del Rey foi um desses caminhos percorridos pelos tropeiros.

Como dissemos, a primeira capela construída em honra a Nossa Senhora da Boa Viagem não foi suficiente pelo número de pessoas que a ela frequentavam. Com isso, em 1755 uma nova capela foi construída no lugar da que havia sido erigida em 1752. Pelo que nos conta a história da Arquidiocese de Belo Horizonte, essa construção perdurou até a época em que o então arraial passou a ser capital do estado.

Podemos notar nessa história a importância dada pelos habitantes à figura de Nossa Senhora que era invocada como protetora dos viajantes que passavam pela região. Tal era a importância da Mãe de Deus, tanta que antes de ser conhecido como Curral Del Rey, o arraial era conhecido pelo nome: “Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral Del Rey”.  

¹ Freguesia é uma palavra que tem origem latina significando “filho da Igreja”.  Esse nome indica um povoamento mínimo e é até hoje utilizado em Portugal.

² Cabido é um conjunto de cônegos, ou seja, de padres com certas responsabilidades numa catedral.

³ Conjunto de paróquias com vigários (administradores paroquiais).


ATIVIDADE


  1. Leia o poema abaixo e em seguida faça o que se pede:


Belo Horizonte bem querer

Henriqueta Lisboa

Em certo planalto agreste 

ao pé de montes de ferro, 

ladeando bichos selvagens 

ressoam botas de couro 

firmes passos bandeirantes. 

João Leite da Silva Ortiz 

- paulista de alta linhagem - 

com soberba marcha à frente. 

Mil setecentos e um 

dia de sol com rubis 

flamejando no horizonte. 

[...]

Brancos pardos pretos índios 

de mãos dadas em ciranda 

de vencida palmo a palmo 

vão alargando o Cercado 

desde o Serro das Congonhas 

às plagas da Alagoinha.

(Poema de 1972, trechos selecionados)


  1. PINTE com a mesma cor duas palavras que rimam entre si no poema.

  2. CIRCULE o título.

  3. MARQUE um X no nome da autora do poema.

  4. Brancos, pardos, pretos e índios viviam em conflito de acordo com o poema?

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  1. Quem foi João Leite da Silva Ortiz mencionado pela autora?

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2) REESCREVA o poema no caderno de caligrafia.


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