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sábado, 6 de agosto de 2011

Acerca da crise moral

A maior parte dos valores que herdamos dos nossos antepassados é herança cristã, no que tange aos valores essenciais são todos de origem cristã. Numa época onde se acentuam as crises, econômicas, políticas, etc., grande parte de natureza moral, muitas pessoas reclamam o retorno ou preservação desses valores, entretanto, querem prescindir de seu caráter cristão ou na impossibilidade disso minimizar até onde for possível a influência cristã, mais precisamente do catolicismo, manifestação verdadeira da mensagem de Cristo. No entanto, esta pretensão não se sustenta, é como se quisesse construir um belo telhado sem nada que o sustente. As mais belas ações cristãs, no caso o telhado que se quer manter, tem por sustento uma compreensão da realidade também cristã, uma ordenação que se baseia no mandamento: “Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.” (Jo 13, 34.). Como vemos não é qualquer “amor” é o amor que teve o próprio Cristo, autêntico exemplo de doação e serviço, sem pieguice, sem “bom mocismo”.
(cont.)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Pensamento avulso III

Sobre o fim do ensino da gramática:

Quando o nível de ignorância de uma nação chega a tal ponto, a situação torna-se mais que preocupante, torna-se patológica. Confundir-se um instrumento de possibilidades com uma algema beira a loucura, loucura de não distinguir bem as coisas, o real do irreal, o certo do errado... (pretendo seguir a reflexão num texto mais detalhado).

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sobre a tolerância

Sobre a tolerância (texto extraído do discurso proferido na câmara municipal de Pedro Leopoldo):

Segundo o dicionário Houaiss tolerância significa: “ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência, tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às adotadas por si mesmo”. A tolerância consiste dessa forma no reconhecimento da fragilidade não apenas dos outros, mas também nossa. A partir desse reconhecimento é possível conceder ao outro e a nós mesmos um espaço de perdão e diálogo.

Jesus Cristo como é relatado no Evangelho é tolerante com as pessoas, perdoa os seus pecados, entretanto, essa tolerância não se estende ao erro, em relação ao pecado e às atitudes errôneas Jesus é extremamente intolerante. Uma passagem que ilustra bem o que quero dizer é o conhecido trecho bíblico da mulher adúltera (Jo 8, 1-11). Nela Jesus demonstra que não veio para julgar e condenar, mas para acolher e perdoar, nos ensinando a fazer o mesmo. Os escribas e fariseus, com o coração cheio de malícia procuravam testar a Jesus colocando-o numa situação difícil se Ele dissesse que não a apedrejassem estaria indo contra a lei, se aceitasse que a apedrejassem estaria indo contra sua pregação. Jesus inteligentemente percebendo a intenção deles fica em silêncio a princípio, rabiscando no chão, com a insistência, que muitas vezes é a nossa, Jesus nos dá uma grande lição, derrubando fórmulas de puritanismo vazio: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.” (Jo 8, 7).

Os escribas e fariseus tiveram a atitude que muitas vezes temos em relação às outras pessoas queremos exercer o papel de acusadores, juízes e carrascos, mas nos esquecemos que também somos pecadores. A tolerância demonstrada por Jesus se manifesta àquela mulher e a todos nós, mas é necessário um compromisso firme de não mais pecar, a tolerância exige em contrapartida renúncia e firmeza de caráter daquele que é acolhido.

A tolerância vivida por Jesus se funda na misericórdia, mas ao contrário do que muita gente pensa, não é uma aceitação total e irrestrita de tudo o que se possa fazer. Antes da tolerância vem o amor, e é a partir do amor que temos a tarefa de corrigir o erro para desta forma nos tornamos verdadeiramente tolerantes e não insensatos que dizem sim ao pecado, com a justificativa de serem tolerantes. Tal atitude não se configura como tolerância e sim permissividade.

Em sua obra Ética a Nicômaco Aristóteles destaca que a virtude é alcançada como meio termo, ou seja, para ser virtuoso é necessário encontrar um equilíbrio entre os extremos. Citamos um exemplo do próprio livro que cita a mansidão uma virtude moral que se encontra entre a ira e “simplicidade”. Esse meio termo não advém da aritmética e da própria situação vivida, em questões éticas não deve se generalizar, a partir de princípios gerais deve se partir para cada caso, tendo como “operador” da medida a phrónesis (sabedoria prática). Como tolerância também significa “diferença ou margem de erro admissível em relação a uma medida ou a um padrão”, deve nesse sentido estar equilibrada nem tanto a mais nem tanto a menos em relação ao que é necessário para que possamos fazê-la procedente do amor.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A tradição dos presépios

Segue abaixo texto escrito no último Natal:

Para nós católicos vem se aproximando uma das mais belas festas do calendário, o Natal. Certamente as recentes notícias de perseguições e assassinatos de nossos irmãos em Cristo, mais precisamente o massacre em Bagdá no Iraque e o caso de Asia Bibi no Paquistão tornam mais tristes os nossos preparativos, mas nos lembram que o próprio Jesus Cristo ainda criança foi duramente perseguido e segundo ele mesmo nos disse devemos tornar nossa tristeza alegria: “Felizes de vós, se fordes insultados e perseguidos, e se disserem toda a espécie de calúnia contra vós por causa de Mim.” (Mt 5,11).
O Natal para nós é o momento de celebrarmos em família o nascimento de Jesus, o nosso Salvador. E, quanto mais família e nascimento são execrados hodiernamente, mais devemos rezar pedindo a Deus a santificação das famílias e a preservação da vida daqueles que ainda nascerão, pois o ser humano foi criado a imagem e semelhança de Deus, sendo amado por Ele como filho dileto. O Natal enquanto celebração do nascimento é, por isso, momento oportuno de defesa da vida.
No entanto, a cada ano que passa vejo cada vez mais a celebração do Natal perder sua sacralidade no mesmo ritmo em que o próprio Deus é expulso das nossas relações sociais. O Natal se tornou hoje uma festa de confraternização qualquer, dessas de fim de ano e muitas crianças não sabem sequer do nascimento do menino Jesus. Um fenômeno claro dessa perda ou como dizem alguns, dessa ressignificação cultural onde Cristo já não ó centro do Natal (e da vida das pessoas!) é o fim cadenciado da tradição dos presépios. Último entre os itens de “decoração” natalina perde para a enfeitada árvore de Natal, para os reluzentes pisca-piscas, o gordinho boneco do Papai Noel e suas “meinhas” para os presentes e perde, inclusive, para a televisão nova, item indispensável para muitos.
Questiono-me bastante acerca disso: Por que algo que nos lembra diretamente o nascimento de Cristo foi relegado a segundo plano entre os “enfeites natalinos”? Estaria isso relacionado ao fato de que Cristo mesmo está sendo relegado a segundo, terceiro, milionésimo, último plano?
Sei que muitas tradições importantes do catolicismo vem sendo esquecidas e a própria tradição dos presépios pode ser mais uma, o que seria bem triste diga-se de passagem, pois é tão bonito quando adentramos uma casa e vemos aquelas figuras tão pequenas e muito humildes ocupando um lugar de destaque na residência, o que nos lembra quando o menino Jesus, tão pequeno, frágil e humilde ocupa um lugar de destaque no coração daqueles que acolhem sua vinda. Mesmo que soe clichê afirmo que a época de Natal não se resume em dar e receber presentes, muito menos em um período de arrotar bom mocismo ou demonstrar caridades inexistentes. O Natal muito mais do que isso é a celebração cristã da vida e da família, da caridade, da alegria de se saber que Deus nos deu o maior presente que poderíamos ter recebido: o seu próprio Filho!
“Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14).
A todos um Feliz e Santo Natal!
24 de dezembro de 2010
Lino Batista

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Comunicado

Saúde e Paz!

Dado o excesso de obrigações acadêmicas no último mês não pude me dedicar como queria ao blog. Com essa jornada praticamente terminada posso dedicar um pouco mais ao blog. Espero que os textos sejam úteis a todos que acessarem o blog.

Ad Maiorem Dei Gloriam

Lino Batista

Pensamento avulso II

A mentira deve estar sempre rodeada de algumas verdades (“meias verdades”), pois do contrário seria facilmente percebida. Graças a tal sutileza a mentira funciona...

Deve ser por isso que se gasta tanto em marketing para encobrir mentiras com algumas verdades. Mas, observando bem, devido à inversão de valores hodiernos, quem nos garante que essas “verdades” são assim tão verdadeiras. Ou quem sabe no fim das contas as pessoas prefiram acreditar em mentiras tornadas verdades, para evitarem o incômodo de combatê-las...?!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quando o conluio político supera a justiça

No meu último texto, “Política no Brasil: alguém duvida que a vaca foi para o brejo?”, refleti um pouco sobre os descaminhos da política brasileira e o que não faltam são exemplos desse mal que nos atinge. O caso mais recente foi a libertação do ASSASSINO Cesare Battisti (chamá-lo de “ativista” não passaria de um eufemismo). Contra todas as evidências e o julgamento legal ao qual ele foi submetido na Itália o então presidente do Brasil, Lula, decidiu não extraditá-lo o que culminou em sua libertação ontem por decisão do STF. É interessante observar que tal não foi a sorte dos pugilistas cubanos que não contaram com a bondade lulista (cf. http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/02/lula-nao-falou-com-pugilistas-cubanos-diz-planalto-754650084.asp).

Sem ir aos detalhes do caso, o que já foi feito em muitos espaços na internet, gostaria de analisar o jogo político envolvido, já que a discussão feita em relação à libertação de Battisti tem girado não em torno à correção ou não do ato da libertação, mas aos interesses políticos envolvidos. Dessa forma se relativiza a gravidade do crime e se absolutiza os motivos ideológicos que conduzem a ele.

A tendência de se politizar os crimes com a eterna desculpa de que crimes também são cometidos pela direita é uma estratégia antiga da “esquerda”. E aqui não venho defender crimes cometidos pelos membros da “direita”, afinal ambos desconsideram em maior ou menor grau o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas quero nesses escritos dizer que para além dos conluios políticos existe a verdade e para defendê-la existe a justiça, ou pelo menos deveria ser assim.

A questão não poderia se pautar na oposição política entre direita e esquerda, mesmo que tenha relevância a discussão, pois não importa se alguém é da direita ou da esquerda, de cima ou de baixo, se é jovem ou se é idoso, se é rico ou se é pobre, nesses casos importa mais a justiça, uma vez que alguém cometeu um crime deve ser punido por isso de acordo com a lei. Podemos questionar a isenção do processo perpetrado contra Battisti ou mesmo da lei, mas a ninguém cabe estar acima desta, a não ser que impelido por uma lei superior, o que não era o caso. A única justificativa possível é que a ideologia comunista professada por ele e por Lula emitiu uma lei suprema corroborando o terrorismo, o que tornaria o assassinato moralmente defensável. Infelizmente isso aconteceu e a lei suprema que rege o Brasil é a mesma que rege a vigarice e a mentira e que culminaram no assassinato covarde não apenas das quatro vítimas de Battisti, mas dos milhões de vítimas justificadas por tal ideologia. Tristes tempos estes nos quais somos obrigados a viver...

Lino Batista 10/06/11

Texto em resposta aos comentários do seguinte site: http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/battisti-e-os-conceitos-de-justica/