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domingo, 5 de abril de 2020

Questões filosóficas em quarentena - parte 3

Chesterton disse que entre outros motivos tornara-se católico porque a Igreja buscava mudar o mundo desde dentro usando a vontade e não a lei.

O que observamos nas democracias ocidentais é uma aposta alta de que o império da lei basta para manter uma sociedade de pé. Ledo engano! O que sustenta uma sociedade mais ou menos coesa não é apenas a lei, principalmente quando burocratas justificando seus postos criam leis para, por exemplo, exigir que em embalagens de ovos venha escrito: "Atenção alérgicos esta embalagem de ovos contém ovos". Isso para não citar outras invencionices que pululam em tempos como o que vivemos. Isso faz com que uma pessoa dotada do senso comum no sentido chestertoniano desconfie, e com razão, de um Estado que se configure sobre tais pressupostos.

De fato Chesterton e aquela velha sabedoria sensata, e um tanto quanto irônica, que vemos nos olhos simples, mas inteligentes de um agricultor quase centenário no interior de Minas estava e está certa. Não se muda o mundo sem antes mudar o que move o mundo, ou seja, a vontade.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Questões filosóficas em quarentena - parte 1 e 2

Vários problemas filosóficos vêm à tona em períodos como o que vivemos. Vou em algumas postagens elencar alguns desses problemas. A numeração é meramente didática e não indica uma ordem de prioridade entre eles.


1) A ciência por mais avançada formal e materialmente que seja mantém um grau de probabilidade e incerteza. Isso decorre de seu próprio método em que o recorte da realidade se faz necessário. Isso gerou tal especialização que não raramente os cientistas se tornam incapazes sequer de posicionar seu objeto de estudo num quadro mais amplo, onde seu objeto é apenas mais um numa gama de outros objetos e fatores que não poucas vezes afeta seu próprio objeto. Na prática o cientista perde a sensibilidade para estabelecer conexão entre fenômenos que escapam ao seu método e ao seu recorte. Isso quando não se torna ignorante ao que não seja "científico" de acordo com seus pressupostos.


2) Diz-se que Maquiavel inaugurou uma nova forma de ver e fazer política. Acredito que o mais correto seja dizer que ele percebeu um movimento que estava acontecendo e lhe deu um acabamento teórico. Desde então, infelizmente, duas coisas se tornaram moda: de um lado separar a dimensão ética da dimensão política e aí vem a questão: caso não exerça as virtudes cardeais em sua vida privada como pode o político levar o povo a pratica-las. Diria uns que isso não cabe à política, mas aqui me volto à Aristóteles e a ciência política como ciência arquitetônica do bem comum. De outro lado, a noção de que o temor supera o amor também prevaleceu, mas se a fórmula permanece, novas formas sofisticadas e atuais de medo superam as antigas, não mais prisões políticas, campos de concentração como os gulags. No lugar quem sabe um terror cibernético ou... bem no fim das contas algum poderoso pode voltar às formas antigas de terror.

sábado, 28 de março de 2020

Vida ou economia?

Muita gente quando ouve falar em economia pensa no tio Patinhas mergulhando em moedas de ouro. Nada mais caricatural ao ser falar sobre o tema. Opor economia e sentimento humanitário é uma falácia. A economia enquanto ciência remonta a Adam Smith que a tratava como vinculada à política, mas poderíamos ir ainda mais longe até Aristóteles, no entanto, este é um comentário de facebook e não um tratado de economia. Enquanto ciência a economia trata da escassez e lidar com isso é fundamental para a nossa sobrevivência e opor essa função econômica a um sentimento humanitário é um contrassenso, já que o fim da economia é justamente ponderar racionalmente o uso de recursos para que o homem viva bem. Como na vida há sempre uma hierarquia de valores não podemos projetar como fim da vida humana a própria economia ou considerar que a economia seja o fundamento de toda realidade humana como fez Marx. A questão é ter senso de proporção e colocar a economia em seu devido lugar, ou seja, a serviço do homem. Então quem se aproveita de situações como a atual para fomentar essa oposição não entendeu nada do significado de economia e acho que também de sentimento humanitário, pois desconsidera o peso que a quebra da ordem econômica e consequentemente social pode gerar em termos de acesso a alimentos, medicamentos, saneamento básico, entre outros. Pensar nessas questões não torna ninguém desumano e aí está a história para nos mostrar.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

A ciência como arma ideológica


Trecho do artigo cujo link segue abaixo.

[...] Dessa forma, os que usam argumentos de autoridade supostamente agem contrariando justamente o preceito científico de se analisar os argumentos e evidências sem juízo valorativo prévio.
https://www.dvox.co/single-post/2020/02/25/A-ciencia-como-arma-ideologica

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

In memoriam: Scruton, um 'guru' reacionário?

Texto sobre Roger Scruton em comemoração pelo primeiro mês de seu falecimento:

[...] Talvez isso ocorra porque a ideia de transformação na obra de Scruton esteja vinculada principalmente a alterações individuais e não a imposições coletivistas como ele presenciou no leste europeu. 
https://www.dvox.co/single-post/2020/02/05/Scruton-um-guru-reacionario

sábado, 25 de janeiro de 2020

Pensamento avulso XLIII

Acabo de ler mais uma obra do escritor maranhense Josué Montello, a saber, o romance "Os Degraus do Paraíso", que me despertou mais uma vez um sentimento ufanista quanto à literatura brasileira. Sentimento esse já despertado por outros grandes literatos como Machado, Lima Barreto, Nelson Rodrigues, Graciliano Ramos, Fernando Sabino, J. Issa Filho, João Cabral de Melo Neto e etc. Espero em breve ler alguma obra de Gustavo Corção que muitos comparam a Machado de Assis e que em meio à desolação cultural brasileira, diga-se de passagem aplaudida por intelectuais e artistas, a boa literatura possa outra vez nos fazer crescer como nação.

domingo, 10 de novembro de 2019

De novo o STF...

Muitas pessoas estão focando, não sem certa razão na decisão do STF, mas se esquecem que bem ou mal os ministros tiveram respaldo da Constituição Federal. Aí mora o perigo. Há um propósito em se ter tantas leis e deixa-las textualmente ambíguas. Propósito nem sempre tão claro e, por isso mesmo vitorioso. Propósito de transformar a sociedade desde cima, a partir de alguns iluminados que se julgam dotados da razão e, intocáveis na prática, vide o que tem feito o ministro Marco Aurélio exigindo ser tratado com pompas, reclamando que uma funcionária tenha se dirigido a ele.Tudo isso, é claro, com uma roupagem democrática, afinal o poder emana do povo não é mesmo? E não é só no Brasil, vide o caso do Brexit.

Então não é de se estranhar que o STF tome uma decisão impopular que favoreça principalmente criminosos do colarinho branco, com recursos para levar ao infinito seu pleitos judiciários. Não é de se estranhar também que tal decisão venha a beneficiar especialmente ao partido que moralista nos anos 1990, mostrou sua verdadeira cara corrupta nos anos 2000 e que apoiando essa decisão, que nem sempre apoiou, tenha beneficiado seu suposto maior inimigo o PSDB, o baluarte da direita (sic) brasileira, que obviamente não é de direita. Não se iludam! Esse problema não é só do STF e essa batalha não é meramente política, é uma batalha contra o bom senso, contra a Verdadeira Justiça e contra a VERDADE!