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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pensamento avulso X


Enquanto os "especialistas" em educação estão preocupados se os alunos do Ensino Fundamental sabem usar bem a camisinha e recitar a cartilha politicamente correta, desautorizando seus pais, o país permanece entre os piores nos índices internacionais de avaliação.
O pior disso tudo é que muitos professores compactuam com essa política adestrando seus alunos ao invés de lhes ensinarem a serem autônomos e capazes de evoluir social e culturalmente compreendendo bem sua língua e sabendo utilizá-la (querendo extinguir inclusive o ensino regular de gramática).
E ainda acham que estão ajudando os pobres, inserindo-os numa pobreza mais daninha a pobreza cultural.

sábado, 15 de setembro de 2012

Pensamento avulso IX


Via de mão única: vários muçulmanos enfurecidos por causa de um filme que insulta Maomé promoveram um verdadeiro arrastão em consulados de países ocidentais. Ao invés de exigirem a punição dos responsáveis pelos filmes, caso eles realmente houvessem cometido um crime, saíram matando quem tivesse no caminho. O estarrecedor disso é que milhares e até milhões de “ocidentais” justificam esta reação como justa, talvez um pouco exagerada, mas bastante compreensível. Não há palavras para conceituar tamanha idiotice. Enquanto exigem respeito às suas crenças, nações, isso mesmo nações, de maioria muçulmana fazem vista grossa não apenas aos desrespeitos praticados contra outras religiões, principalmente a cristã, mas também aos assassinatos e condenações sumárias a todos que professam outra religião. E eu nem mencionei a queima de bíblias, de cruzes, etc. O respeito apregoado inclusive pela ONU é uma via de mão única....

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Palavras do Papa


Sobre as seguintes notícias: http://fratresinunum.com/2012/08/30/papa-sugere-quando-nao-se-cre-e-melhor-ser-honesto-e-deixar-a-igreja/
Coerência. Esta palavra parece estar cada dia mais se extinguindo do vocabulário hodierno. Perante o quadro também cada vez mais aterrador do ponto de vista espiritual as palavras do Papa ressoam como a voz suave do pastor que conhece suas ovelhas. Especificamente me refiro aqui às palavras pronunciadas no discurso do Angelus (26/08/2012). O papa citando a traição de Judas disse que este fora desonesto ao não abandonar Jesus como outros haviam feito, tendo permanecido com Ele e O traído.
Vários motivos podem ser apontados para explicar porque aqueles que não creem permaneçam ao lado de Cristo ou da Igreja, entre eles cito a comodidade, a possibilidade de adquirir reconhecimento pessoal, a vontade de modificar a estrutura da Boa Nova adaptando-a a teorias mais atraentes ao mundo, etc. Para os que agem assim as palavras são fortes; eles não são nada menos do que desonestos permanecendo vinculados àquilo que não acreditam. Que aqueles que procuram minar a Igreja por dentro escutem o papa e sejam honestos vivendo suas rebeldias fora dela, pois aqueles que se julgam acima da própria Igreja instituída por Cristo e sustentada pelo Espírito Santo não são dignos dela.
Mas também parece “querer demais” que os desonestos em sua desonestidade se reconheçam enquanto tais, pois o orgulho já criou raiz. Rezemos pelo Papa para que seja capaz de arrancar dos lobos seus disfarces e de levar os traidores da Igreja à conversão, enquanto há tempo.
Lino Batista

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Honra e resignação


Hoje, um dia chuvoso de agosto, celebramos o sétimo dia de falecimento do pai de minha noiva o sr. João Barbosa de Morais. Homem de poucas palavras, sistemático e cumpridor dos seus deveres. Convivi com ele pouco tempo, aproximadamente três anos, mas o suficiente para admirá-lo pelas virtudes que levou consigo até o fim de sua vida. Não pretendo aqui eleva-lo à perfeição, afinal como todos nós ele tinha suas limitações, pretendo expor o que me impressionou sobremaneira em sua pessoa; a forma como lidou com a doença.
Muitos de nós na situação em que ele se encontrava poderiam facilmente perder a fé reclamando de sua má sorte, entretanto, a resignação com os desígnios do Senhor fizerem dos momentos que passei com ele um aprendizado único. Nem a dor nem as limitações fizeram com que ele perdesse a paciência ou a esperança, ainda que em alguns momentos ele preferisse ficar sozinho em silêncio sem ser incomodado, penso que com isso ele queria poupar sua família de mais sofrimentos.
Pude também antes disso trabalhar com ele e constatar a seriedade e a honradez com a qual dirigia suas tarefas. Numa época na qual muitos fogem de suas responsabilidades era reconfortante ver nele um exemplar mineiro clássico, íntegro e correto em suas atividades.
Por fim falo de algo que a princípio me envergonhou: a fortaleza de sua fé e sua perseverança na oração, as mais simples, mas em compensação as mais sinceras e devotas de quem acredita na presença de Deus em sua vida e nutre amor filial à Mãe Aparecida. Nossos tempos precisam mais disso, menos instrução e mais sabedoria, menos autossuficiência e mais fé, por isso, agradeço a Nosso Senhor o privilégio de ter me concedido conviver com o sr. João Barbosa e ajuda-lo um pouco quando ele precisou. Peço agora que Deus conforte os seus e lhe receba na Glória, premiando-o com a Vida Eterna em Vossa presença.
Lino Batista
Belo Horizonte, 16 de agosto de 2012 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O direito à liberdade : mas que liberdade? Parte 1


Antes de começar o texto propriamente dito é bom esclarecer que a análise inicial deste texto não reflete necessariamente minha opinião o que será feito na conclusão sobre a temática em outras postagens. Este é apenas um trecho introdutório dirigido aos meus alunos.
Uma sociedade justa passa certamente pelo direito à liberdade[1], mas ao contrário do que muitos possam pensar a liberdade está sempre acompanhada de outros elementos. Um desses elementos é a responsabilidade, já que toda ação livre supõe que o sujeito da ação arque com suas consequências.
No Brasil a liberdade é uma garantia de sua Constituição promulgada no ano de 1988, que também aponta para a responsabilidade que citamos acima. O texto constitucional diz o seguinte:

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (EC no 45/2004) [destaque meu]
(...)
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
(...)
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, Subscretaria de Edições Técnicas, 2006.

Como vimos a Constituição brasileira garante a liberdade de pensamento e também de expressão, entretanto, não é qualquer tipo de liberdade, ou melhor, de libertinagem, sem ordem, sem respeito. A pessoa é livre para se manifestar, mas não pode se manter anônima, ou seja, sem prestar-se a dar resposta quando acionada. A pessoa não pode como diz o ditado “fazer o que der na telha” sem respeitar as leis do país, as pessoas e as autoridades. E nesse ponto a lei encontra a ética. Um sujeito ético deve ter em vista que a liberdade é um direito, mas não um direito sem dever, sem respeito, pois ainda que as leis falhem e a liberdade de expressão seja ferida devemos manter a liberdade mais ampla que não pode ser garantida por nenhuma lei, a liberdade da nossa consciência.
Os jovens devem refletir sobre isso, pois muitos gritam pelas ruas que são livres, mas suas consciências são prisioneiras de sua irresponsabilidade. E não apenas os jovens, mas também vários adultos se esquecem que a liberdade é um direito que se conquista dia a dia com nossas atitudes, com respeito e com plena consciência que se mal utilizada a liberdade pode se torna a pior escravidão: sermos escravos de nossas caprichos.





[1]É importante observar que o termo liberdade é tomado em alguns pontos do texto com o mesmo sentido de livre-arbítrio.

domingo, 24 de junho de 2012

Imprensa, diplomacia e o caso Lugo


Certamente não sou a pessoa mais indicada para analisar a situação paraguaia após o impeachment do então presidente Fernando Lugo, entretanto, não posso deixar passar em branco a cobertura da grande mídia brasileira e as reações diplomáticas, também a brasileira, frente ao que se convencionou chamar de “golpe de estado parlamentar” (sic). Digo isso, pois a análise girou em torno de um suposto ataque à democracia pelo parlamento paraguaio o que não aconteceu se verificarmos com isenção ideológica os fatos. Para deixar mais claro o que quero dizer vou dividir a análise em três pontos.
O primeiro ponto está vinculado a uma compreensão unilateral equivocada de democracia que permeia a maior parte das discussões sobre o assunto. Por mais que eu tenha ressalvas à democracia contemporânea, neste caso particular que analiso aqui não ponho em xeque o processo eleitoral que levou Lugo ao poder. A questão não é essa. Pressupondo que ele tenha chegado ao poder por vias legais e moralmente defensáveis isso não o torna intocável. Como já se repetiu milhares de vezes o processo que levou ao seu impeachment foi legal e mencionar o respeito à democracia para contrariar a decisão parlamentar não passa de uma falácia, afinal “democracia” não significa a supremacia do eleito sobre a lei como o querem fazer parecer Hugo Chaves e cia. Logo o fato de Lugo ter sido eleito democraticamente não fazem dele um ser supremo, intocável acima das leis do país, portanto também ele enquanto presidente poderia e deveria ter sido processado, como de fato foi, caso houvesse cometido crimes ou não houvesse cumprido satisfatoriamente suas funções.
O segundo ponto é a cobertura jornalística da grande mídia brasileira que em sua maioria vêm endossando a falácia acima analisada. É impressionante a parcialidade e passionalidade das críticas. Até agora somente uma reportagem da Record News abordou objetivamente os fatos questionando tanto acusadores como defensores do presidente, mencionando com ressalvas o termo “golpe de estado”. O restante das críticas que vi parecem ter sido escritas por um mesmo autor num somatório de achismos, sem rigor e repetindo chavões, concedendo espaço para analistas[1] suspeitos por partilharem a ideologia de determinado grupo político com redes continentais. Não se respeitou minimamente o justo princípio jornalístico de conceder a acusadores e defensores a oportunidade de se manifestarem. Pareceu-me que estavam todos comprometidos de alguma forma com a defesa do ex-presidente e tudo isso, pasmem, com o intuito de defender princípios democráticos. Ora, ora! Façam-me o favor de respeitar minha inteligência e a coerência lógica!
Seguindo a reflexão chegamos ao terceiro ponto que é a vergonhosa posição do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que nem bem tinha analisado o caso já se pronunciava por meio do seu ministro Antonio Patriota e também da presidente acusando o parlamento paraguaio de promover um golpe de estado. Num caso delicado assim a presidente e o ministro deveriam ter mais bom senso e lucidez para analisar o caso com mais frieza antes de se pronunciar e posicionar-se em nome do povo brasileiro e não da cumplicidade ideológica que partilham com o ex-presidente Lugo que venhamos e convenhamos nunca foi um exemplo de dignidade moral e respeito pela verdade, afinal já havia traído publicamente os votos feitos à Igreja Católica enquanto membro do clero.
Enfim, espero com esta pequena crítica ter demonstrado que o recente caso de impeachment tem sido tratado no Brasil de forma absurda sem comprometimento com a justiça e carregada de ideologias falaciosas que não visam o bem público de quem quer que seja, mas somente a vitória política de suas posições arbitrárias. Mídia e Ministério das Relações Exteriores envergonham o Brasil ao tratar o caso dessa forma.
Lino Batista  06/2012


[1] Alguns chegaram a afirmar que a elite, sempre ela, como se eles não fossem parte da mesma havia planejado tudo para voltar ao poder. Este argumento pode ter um fundo, bem fundo, de verdade, mas não serve para desqualificar a atitude dos parlamentares que deve ser vista como justa ou não acima de qualquer partidarismo.