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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Pensamento avulso LXVIII

A teologia de Rudolf K. Bultmann que fez a cabeça de muitos no século XX e continua fazendo suas "vítimas" nos traz duas lições. Segue abaixo a primeira delas:

1) Erudição e sabedoria podem ser inversamente proporcionais, ou seja, há como ser sábio sem erudito, bem como pode-se ser erudito sem ser sábio. Os poucos que conseguem alcançar ambos elevam consigo a muitos aliviando-os parcialmente do peso da ignorância que acompanha a maldade.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Memórias da Semana Santa

Ao ser perguntado se me lembrava das músicas cantadas na Via Sacra respondi o seguinte:

Toda vez que inicio o "a morrer crucificado..." me sucedem memórias, afetos e sentimentos que estimulam a vontade de rezar e meditar sobre as dores de Nosso Senhor no calvário. Lembro da minha mãe, dos meus tios e tias avós, das senhoras mais velhas, pejorativamente chamadas de antigas, das ruas de Pedro Leopoldo onde a procissão quilométrica entoava cantos piedosos. Lembro da esquife de Nosso Senhor com o cheiro agradável de ervas aromáticas, como o manjericão. Lembro da belíssima imagem de Nossa Senhora das Dores e da procissão do encontro onde ainda pequeno não dimensionava a dor de ver um filho sofrer e ainda hoje nem sequer arranho nesse ponto, pois Nossa Senhora via ali ensanguentado Seu Filho, mas também o Seu Senhor. Quanto sofrimento não carregou aquele coração puro!

Lembro do silêncio e das velas, e da minha mãe a se negar a nos comprar pipocas na encenação da paixão. Aquele não era momento para comer pipocas dizia ela, aquele não era um espetáculo qualquer e o nosso pequeno sacrifício em seus dizeres não era nada comparado ao sacrífico da cruz.

Eu vivi os últimos suspiros, já vacilantes, de um tempo onde a semana santa ainda não tinha virado um feriado prolongado e onde ainda se viam os homens abaixarem seus chapéus ao verem o cortejo. Até os prostíbulos abaixavam as portas e algumas mulheres saíam  de lá com um olhar lacrimoso rumo ao esquife que era levado com profundo respeito por homens "antigos", já calejados.

Por último me lembro das matracas...

Que som incômodo e monótono, o som de um mundo deicida, um som áspero, mas que no fundo anunciava um novo tempo onde uma nova canção de alegria entoaria.

Sim, eu me lembro...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Sobre educação VI

Grande parte da chamada "pedagogia moderna" ligada a autores como Paulo Freire cria um espantalho chamado "educação ou escola tradicional". Dessa forma, como Quixote lutam contra moinhos de vento imaginando estar lutando contra dragões. Nesse espantalho cabe de tudo do método jesuítico ao método moderno, diga-se de passagem, de ensino para o trabalho. Com isso anulam elementos fundamentais e verdadeiros que esses modelos adotam, por exemplo, a importância do decorar, da memória, que na gíria professoral transformou-se em "decoreba". 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Sobre educação V

A falta de investimento em geral, e em educação em particular, NÃO leva à falha moral, pois a moral antecede a noção mesma de investir. Inverter essa ordem é justamente o que tem feito piorar cada vez mais o nível da educação no Brasil, o que é atestado em qualquer tipo de avaliação de ensino. É o velho erro do materialismo que tem por pano de fundo o determinismo econômico mais rasteiro. Sem contar a flagrante confusão entre os termos educação e ensino.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Pensamento avulso LXVII

A moralidade tem um princípio externo que é o próprio Deus e outro princípio interno que em última instância também se direciona a Deus, já que temos a marca de Deus em nosso íntimo, afinal fomos criados à Sua imagem e semelhança.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Um pouco da política do dia em Pedro Leopoldo

O pedroleopoldense simples, sem muito estudo, vê uma fábrica que poderia oferecer emprego a muita gente desistir do empreendimento e se revolta. Nessa revolta diz algumas coisas que de fato destoam de alguns aspectos formais do problema, mas que em sua essência estão corretas. O problema é que o sistema acusatório e jurídico envoltos nas complexidades do Direito contemporâneo, burocrático, enfadonho e o pior, completamente desconexo da realidade, esquecem-se das pessoas que supostamente visam defender.

Esse caso é uma mostra clara de que o “Fiat iustitia, et pereat mundus” (faça-se justiça e que o mundo pereça) alegado por alguns “operadores do Direito” não é justo, mas faz de fato o mundo de muitos ruir. Esse é o problema da “justiça” sem responsabilidade apegada à letra, mas que na verdade utiliza a letra por conveniência. Com isso fazem valer um princípio alheio mesmo ao que levou a letra a ser o que é.

Em resumo: o povo se revolta porque os que dizem defender o povo “coam o mosquito e engolem um camelo” e não propõem soluções reais para problemas reais. São os burocratas de sempre que no quinto dia útil do próximo mês terão os seus salários na conta. E o povo? Que se vire!

domingo, 5 de dezembro de 2021

Pensamento avulso LXVI

Controvérsias sempre compuseram a ciência, mas em nossa época evocar uma objeção consciente e racional a supostas "verdades" científicas soa como "negacionismo" a ouvidos desacostumados à legítima disputa, um costume, quem diria, medieval.