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sábado, 17 de outubro de 2026

Pensamento avulso CLVIII

Não se serve a dois senhores ao mesmo tempo. Ou se é uma escola católica ou se adota a Agenda 2030. Essa oposição não se dá entre termos contrários, mas contraditórios.

sábado, 18 de abril de 2026

Considerações ao católico que ensina e educa - parte II

    Terminamos¹ a primeira parte com a afirmação do Doutor Angélico segundo a qual possuímos inclinações naturais ao bem, às virtudes. No entanto, como também mencionamos o pecado original desorientou essa inclinação sucedendo em nós o que afirma o Apóstolo S. Paulo: “Porque eu não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm. 7, 19). A verdadeira educação é necessária, pois para nos orientar ao bem por meio da prática constante e habitual da virtude, o que se dá na dimensão da vontade. Tal constatação é anterior à verdade revelada, como fica demonstrado pelo filósofo pagão Aristóteles que nos diz algo assim na sua obra, “Ética a Nicômaco”.
    Passamos então ao âmbito da inteligência que deve ser precedida pela análise da sensibilidade, pois como nos indica S. Tomás de Aquino o conhecimento se inicia pelo apuro dos sentidos. Com isso, a educação católica como nos ensina a Santa Igreja começa pela beleza e ordem na pintura, na música, vide o gregoriano, e na arquitetura. A abstração das ciências e da lógica, inclusive da linguagem precisa da concretude das coisas sensíveis retamente ordenadas. Um exemplo prático numa aula de matemática pode ser o estudo do eixo simétrico iniciado pela observação de uma borboleta.
    O professor antes de situar o desenho de uma borboleta num plano cartesiano poderia mostrar uma borboleta real e indicar que essa beleza é parte da criação divina relembrando a passagem do Gênesis onde o Senhor após criar o mundo viu que tudo era bom. A bondade se expressa na beleza da ordem e da proporção conforme o Criador. A educação católica passa necessariamente por esse reconhecimento de que todo conhecimento verdadeiro vem de Deus e nos leva de volta a Ele, afinal como diz a glosa de S. Ambrósio toda verdade provém do Espírito Santo. O que há de mais “seco” e árduo na ciência pode nos apontar, dar indícios do criador. Se o professor particularmente e o educador genericamente conseguirem inspirar seus alunos a essa constatação, grande parte do seu trabalho está feito.


  1. Essa segunda parte só foi em parte desenvolvida durante a palestra sendo complementada a posteriori. ^

domingo, 22 de junho de 2025

Sobre educação XII

Há uma ilusão de que a educação formal ou ensino resolverá problemas oriundos da má educação moral. Esse pensamento mágico une intelectuais e ignorantes no Brasil.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Pensamento avulso CXXI

A frouxidão disciplinar percebida nas famílias e nas escolas soa mais como indiferença e negligência do que como paciência e amor.

sábado, 20 de julho de 2024

Sobre educação XI

Mensagem enviada a um grupo de pais amigos:
Quando puderem leiam o livro VI das Confissões de A. Agostinho no item 7. Ele trata da amizade com S. Alípio que fora seu aluno. S. Agostinho conta como Alípio ao assistir uma aula sua em que o professor Agostinho aludia aos males dos circos, que à época eram muito imorais, e Alípio percebe o mal que tais espetáculos faziam à sua alma.
Interessante que o professor não precisou recorrer à excessivas severidades, mas conseguiu atingir, com o auxílio da Graça, a consciência moral de seu discípulo.Oh se pudéssemos os professores alcançar tal patamar em nossa profissão! 
Cabe observar que Agostinho ainda não havia se convertido e saído do maniqueísmo, mas a Providência estava os encaminhando para a grandiosidade que ambos alcançariam como santos. Que saibamos, professores e alunos, ter a paciência e a confiança na Providência!

sábado, 6 de abril de 2024

Política: do bem comum ao jogo de poder

 

O conceito de política é um conceito que, tomando de empréstimo a lógica aristotélica, chamaríamos de equívoco em nosso contexto, ou seja, um conceito em que para um único nome ou termo há diferentes conceitos mentais associados. Isso significa que apesar do nome “política” ser único, há diversidade de significados que variam ao longo da história.

A fins didáticos iremos distinguir neste texto duas grandes matrizes de definição do que é política, buscando transformar esse conceito num conceito análogo, onde tomando de empréstimo os dizeres do filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos, obtenhamos uma “síntese da semelhança e da diferença” entre as duas visões de política.

Podemos dizer, em linhas gerais, que em qualquer cenário a política diz respeito à sociabilidade humana e às relações de poder. No entanto, o entendimento acerca desses fundamentos da política não implica numa mesma definição desta. Como já dissemos, há duas linhas que iremos investigar.

A primeira advém da compreensão clássica que permeou a filosofia política desde a Antiguidade ao Medievo. Essa compreensão é definida por alguns estudiosos das ciências sociais, como idealismo político. Certamente esse é um termo controverso, mas que resumidamente indica que a visão clássica colocaria a teoria sobre o que deveria ser a política à frente da política concreta, como se o que deve ser estivesse acima daquilo que é. Se observarmos mais atentamente as obras de política de um Aristóteles ou de um Raimundo Lúlio, por exemplo, vemos que não há uma sobreposição da teoria sobre a prática, do vir a ser sobre o que é, mas a busca pela universalidade própria da Filosofia ou do entendimento da realidade concreta por meio de valores e princípio universalizáveis.

Em meio à essa definição clássica podemos considerar que a política deve ser vista como a busca pelo bem comum. Política e ética, nesse contexto, são complementares, devendo a política refletir o bem próprio do horizonte moral:


O governo que serve ao interesse dos governantes é tirânico. Só o governo que promove a vida boa dos governados é bom.

[...] Para ser bom, o governo tem de ter uma autoridade reconhecida e aceita pelos governados, não o mero poder ou força ao qual eles se submetem por medo. (ADLER, 2010, p. 127)   

 

Apesar das divergências acerca da política ao longo dos séculos, o núcleo conceitual comum permaneceu inalterado, entretanto as circunstâncias históricas, bem como sua análise conceitual, alterou-se e na virada que erigiu a Modernidade uma nova forma de enxergar a política surgiu. Para contextualizar e nos situarmos historicamente cabe mencionar alguns eventos do período como a queda do império romano no Oriente em Constantinopla (1453), as Grandes navegações (séc. XIV-XV) e as Guerras Italianas entre 1494 e 1559.

É nesse contexto que Nicolau Maquiavel (1469-1527) tem uma percepção sobre a política que promove uma reviravolta na história das ideias, inaugurando o que muitos teóricos convencionaram chamar de realismo político, bem como a ciência política. Em oposição aos “idealistas políticos”, a proposta era partir da realidade “nua e crua” daquilo que passou a ser o núcleo da noção de política, a saber, o conceito de poder.

Em sua obra prima, “O Príncipe”, Maquiavel lança mão de seus principais conceitos que exploraremos a seguir. Essa obra que a princípio serviria de manual ao príncipe, no caso Lourenço de Médici (1492-1519) a quem dedicou o livro, tornou-se base de entendimento para a nova visão de política que até hoje é fundamental para compreendermos a política não apenas na dimensão da ciência política, mas principalmente na prática da política.

Para delimitarmos nossa exposição focaremos em dois pontos principais: a separação entre ética e política e a virtù (virtude) necessária ao exercício do poder pelo príncipe. Se o horizonte da política na Antiguidade era o bem comum, na Modernidade o núcleo da política torna-se a conquista e manutenção do poder. Nesse conceito se destaca a separação entre ética e política, afinal nesse processo de manutenção do poder, o príncipe estaria justificado a agir em desconformidade com os valores e princípios morais socialmente aceitos, como podemos observar no trecho abaixo:

 

Donde é necessário, a um príncipe que queira se manter, aprender a não ser bom e usar ou não da bondade, segundo a necessidade. (MAQUIAVEL, 1986, p. 90)

 

Podemos perceber com isso, que de um lado, a ética (moralidade) está inserida na esfera privada, enquanto a política está inserida na esfera pública. Fica a questão prática: como o príncipe deve agir politicamente? Frente ao cenário da distinção citada, primeiramente o político deve ser capaz de captar o amor e o temor dos seus súditos, mas na incapacidade de alcançar ambos, seria preferível alcançar o temor. Para gerir o horizonte do poder, o príncipe deveria ter em mente dois conceitos: o de virtù e fortuna. Este teria a ver com as situações que escapam do controle do governante, enquanto aquele teria a ver com a capacidade do príncipe em lidar com tais situações.

Poderíamos exemplificar essa relação com uma situação prática em que haja uma situação de seca em que os grãos estão sendo produzidos em baixa quantidade. O príncipe não teria responsabilidade com a seca diretamente, mas deve ser capaz tanto de se precaver quanto de agir de tal modo que os grãos produzidos, ainda que em menor quantidade possam atender os súditos.

 

Referência bibliográfica:

ADLER, Mortimer J. Aristóteles para Todos. tradução. Pedro Sette-Câmara. São Paulo: É Realizações, 2010.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe.11 ed. tradução. Roberto Grassi. São Paulo: Bertrand Brasil, 1986.

segunda-feira, 25 de março de 2024

O que é Filosofia?

 

A pergunta que intitula nosso texto é das mais comuns quando alguém, principalmente estudante, depara-se pela primeira vez com a matéria. Diferentemente das demais disciplinas escolares em que o objeto de estudo é bem determinado e específico, a Filosofia tem uma amplitude investigativa mais extensa. Isso significa que a Filosofia é uma disciplina que tem aspiração à universalidade, enquanto as outras disciplinas são particulares, ou seja, a Filosofia tenta enxergar o todo dando-lhe uma unidade cognoscível[1], enquanto as ciências buscam analisar ou compreender objetos específicos.

Para compreender essa relação podemos fazer uma analogia com o jogo de xadrez. Enquanto as ciências como a Física e a História, por exemplo, focariam em peças específicas como um peão ou uma torre, a Filosofia veria o tabuleiro como um todo relacionando as peças entre si.

Com as considerações acima temos um esboço da resposta ao que é Filosofia, a saber, um conhecimento sobre a totalidade ou conjunto dos próprios conhecimentos adquiridos. Ao longo de sua história, a Filosofia teve alterações em sua abordagem, mas essa busca parece ser sua sina. Além dessa busca a definição clássica, ou seja, desenvolvida entre os filósofos gregos Antigos como Platão e Aristóteles, passando pelos pré-socráticos e helenistas, tinha por base o uso da razão natural como instrumento de entendimento da realidade em sua totalidade. Eis então o substrato ou essência da filosofia clássica que se manteve durante séculos como paradigma da filosofia como podemos observar no trecho abaixo:

 

“A filosofia é um conjunto de conhecimentos naturais metodicamente adquiridos e ordenados, que tende a fornecer a explicação fundamental de todas as coisas.” (RAEYMAEKER, 1969, p. 36)   

 

Podemos verificar que Raeymaeker destaca, como dissemos acima, os termos “conhecimentos” e “todas as coisas” que representam a racionalidade e universalidade próprias do saber filosófico. Entretanto, podemos perceber outras duas dimensões fundamentais da filosofia clássica que ainda hoje serve de bússola aos filósofos contemporâneos, a saber, a ordem e o caráter natural do empreendimento filosófico. O primeiro indica que há uma organização e métodos no “trabalho” do filósofo que procede ordenadamente, supondo também uma ordem na realidade. Já o segundo ponto indica que a filosofia se limita ao conhecimento natural não recorrendo a elementos sobrenaturais em suas investigações, ainda que muitos filósofos reconheçam e pressupunham uma realidade sobrenatural.

PS: esse texto foi escrito com o intuito de esclarecer aos alunos do Ensino Médio o significado resumido da disciplina Filosofia.

Referência bibliográfica:

RAEYMAEKER, Luís de. Introdução à Filosofia. 2. ed. tradução. Alexandre Correia. São Paulo: Herder, 1969.


[1] Que pode ser conhecida.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Sobre educação X

Como quase todo jovem educado no Brasil nas últimas décadas e que prestava alguma atenção levando a sério o que era ensinado, eu fui um entusiasta do pensamento de esquerda e da revolução. Como militante eu nutria em consonância com tantos autores, como o capitão-mor Karl Marx, uma desconfiança com o Estado.

Atualmente olhando para trás e vendo os atuais militantes é interessante observar a mudança. Hoje, num grupo de professores onde se “discutia” acerca de material didático, um professor perguntou se o material de determinada escola era “credenciado pelo MEC”. Como se tal credenciamento ou aprovação fosse uma garantia de qualidade, de segurança.

Essa posição atual de militantes da esquerdistas pode parecer uma negação dos seus primórdios, mas na verdade é seu acabamento, afinal com a revolução em curso bem avançado o MEC já não parece mais com uma agência que serve a interesses externos e quase já não escuto mais acerca do acordo MEC-USAID. Com o MEC já "tá tudo dominado!".

Aos que de fato prezam pela educação aconselho que fujam tanto de um quanto de outro modelo de centralização educacional.

domingo, 1 de outubro de 2023

Considerações ao católico que ensina e educa - parte I

 Palestra: II Congresso Imaculada Conceição – Apostolado Beato Padre Victor

Pensei em algumas formas de iniciar esta conferência cujo objeto é a educação desde uma perspectiva católica. Nesse sentido, cogitei inicialmente conceituar educação e tratar da pedagogia e suas dificuldades, mas nós católicos estamos hoje como que à deriva e como todo náufrago precisamos nos situar antes de proceder a qualquer ação, que no presente caso seria a própria ação pedagógica.

Partindo dessa constatação somos movidos a ir ao princípio de tudo para compreender o que se passa com a educação, como na ordenação das causas precisamos nos direcionar ao começo para nos inteirarmos da causa final. Pois bem, o evento histórico primordial marco não apenas para compreender a educação, mas tudo o que diz respeito ao ser humano é a Queda.

O homem fora criado de tal modo que as potências de sua alma estavam perfeitamente ordenadas. Com isso em Adão e consequentemente em Eva havia uma hierarquia em que a sensibilidade estava subordinada à vontade e esta ao intelecto. A sensibilidade, cabe aqui esclarecer, é a potência da alma vinculada às moções ou movimentos dos sentimentos e paixões. Poderíamos incluir aqui a inclinação a agir ou não agir em vista aos sentimentos provocados.

Já a vontade e a inteligência configurariam potências superiores da alma que o homem possui por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. A vontade é o que direciona e impele à ação voluntária, ou seja, sem uma (pré)determinação extrínseca. Já a inteligência ou racionalidade é a capacidade de apreensão da realidade gerando entendimento sobre a mesma. Originalmente essas potências estavam ordenadas de tal maneira que a sensibilidade se voltava ao belo, a vontade ao bem e o intelecto à verdade. Com a queda (pecado original) essa ordem foi desvirtuada. E nisto consiste o mal: em desejar um bem de forma desordenada em desconformidade ao seu fim.

A verdadeira educação não pode prescindir dessa realidade fundamental, a saber, a de que o homem ferido pelo pecado só a muito custo consegue minimamente reaver tal ordem em que a inteligência é capaz de governar a vontade para o bem que lhe é próprio. Para alcançar tal intento o primeiro ponto[1] é estritamente religioso com o acesso aos sacramentos e por meio de uma vida de oração. Só que não se chega a esse ponto sem que se passe de algum modo pelo segundo ponto, a saber, a educação e aqui cabem algumas considerações:

A primeira é que o mundo moderno desde Descartes cindiu o homem ao meio e desde então dificultou-se ainda mais a compreensão de que fé e razão não se contradizem, mas se complementam com a primazia daquela sobre esta. Em segundo lugar, podemos também destacar que o termo educação adquiriu um caráter mais amplo envolvendo não apenas os conhecimento teóricos, mas também comportamentais, enquanto o termo ensino ficou restrito à aquisição de saberes técnicos e científicos.

A segunda consideração é que uma educação verdadeiramente católica não pode, senão metodologicamente e frente ao Estado, aceitar tais cisões modernas. Ela precisa passar pela questão fundamental sobre o fim do homem que leva à pergunta: o que é o homem? O ser humano é uma criatura divina composta de corpo e alma espiritual, como dissemos no início desta conferência, dotada de sensibilidade, vontade e inteligência. Com o pecado original sua natureza foi ferida e os dons preternaturais[2] perdidos. No que interessa mais propriamente à educação ocorre-lhe a perda da ciência infusa, ou seja, a capacidade do intelecto de conhecer de forma imediata. Desse modo, o estudo com afinco se torna conditio sine qua non para adquirir o conhecimento.

Como tudo que existe tende ao seu fim próprio, também o homem tende a um fim, a saber, a beatitude, a perfeita felicidade que consiste na visão de Deus em que repousa tanto seu intelecto quanto sua vontade. S. Tomás de Aquino aponta uma tendência do homem a buscar o que é necessário a tal fim como podemos observar no trecho abaixo da obra, “De Magistro” (Quaestiones Disputatae de Veritate): “os hábitos das virtudes antes da consumação delas, preexistem em nós em algumas inclinações naturais[...]”.



[1] Ele é primeiro na ordem espiritual, mas não em relação à ordem temporal.

[2] São eles: integridade, impassibilidade, imortalidade e ciência infusa.


sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Sobre educação IX

Uma falsa premissa do pedagogismo é que tudo deve ser ensinado e aprendido na escola. De arrumar a cama a ser feliz.

sábado, 15 de julho de 2023

Sobre educação VIII

A escola não é ou não deveria ser um ambiente de vanguarda, mas de retaguarda.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Sobre educação VII

Não apenas como professor, mas em minha lida diária com diversas pessoas tenho observado uma dificuldade crescente que as pessoas têm tido em considerar aspectos objetivos do real. Não raras vezes alguns alunos questionam uma nota ou uma fala dizendo se tratar de uma opinião. Sempre respondo que opinião é uma questão de gosto ou apreciação sobre algo, mas que ela não se sobrepõe a fato objetivos, concretos. Obviamente que a hiperespecialização das ciências traz uma grande dificuldade para que essas distinções sejam feitas, mas isso não altera o fato de que proposições sobre objetos podem ser verdadeiras ou falsas e só. Elas devem ser verificadas e são independentes de desejos e gostos. Quando eu afirmo, por exemplo, que a Argentina foi campeão mundial de futebol em 1986 estou apresentando um fato. Podemos discutir a legitimidade da conquista feita de forma desleal com o gol de mão das quartas de final, mas isso não muda o fato, ponto.

Essa é uma séria dificuldade que os professores enfrentam e enfrentarão cada vez mais com o desenvolvimento da "cultura woke" que sobrepõe sentimentos a fatos como se a mera fala e desconstrução dos paradigmas alterassem a realidade das coisas. Esse tipo de ficção que se impõe como real ainda cobrará sua dívida e a história nos mostra que ideologias que reduzem a complexidade do real a fáceis reduções retóricas sempre terminam mal com muitas e dolorosas mortes. Infelizmente muitos inocentes pagarão o preço dessa dívida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Sobre educação VI

Grande parte da chamada "pedagogia moderna" ligada a autores como Paulo Freire cria um espantalho chamado "educação ou escola tradicional". Dessa forma, como Quixote lutam contra moinhos de vento imaginando estar lutando contra dragões. Nesse espantalho cabe de tudo do método jesuítico ao método moderno, diga-se de passagem, de ensino para o trabalho. Com isso anulam elementos fundamentais e verdadeiros que esses modelos adotam, por exemplo, a importância do decorar, da memória, que na gíria professoral transformou-se em "decoreba". 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Sobre educação V

A falta de investimento em geral, e em educação em particular, NÃO leva à falha moral, pois a moral antecede a noção mesma de investir. Inverter essa ordem é justamente o que tem feito piorar cada vez mais o nível da educação no Brasil, o que é atestado em qualquer tipo de avaliação de ensino. É o velho erro do materialismo que tem por pano de fundo o determinismo econômico mais rasteiro. Sem contar a flagrante confusão entre os termos educação e ensino.

sábado, 16 de outubro de 2021

Pensamento avulso LXV

 A educação moderna e consequentemente contemporânea ao desprezar a contemplação retira da educação a capacidade de proporcionar ao educando ascender às mais elevadas potências humanas confinando-o num pragmatismo animalesco. 

terça-feira, 26 de maio de 2020

Pensamento avulso L

Não me lembro exatamente a data, mas fui convidado a falar na ALMG sobre a BNCC. Destaquei na época a utilização efusiva do termo crítica que permeava o documento. Nos últimos anos colocamos culturalmente em destaque a figura do crítico (isento) que critica a tudo e a todos e que se considera além do bem e do mal, e não falo aqui de Nietzsche. O interessante é que em certa medida isso também se aplica a mim já que vivo nesse meio e sou mais ou menos afetado. Valoriza-se a crítica pela crítica sem que nada haja nada de propositivo ou quando muito se propõe soluções irrealísticas. É o projeto "ficar em cima do muro" que me lembra aquela velha anedota em que o diabo nada fazia a quem estava sobre o muro por esse lhe pertencer.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Sobre Educação IV

O problema do excesso de leis, a famosa "burrocracia", no âmbito educacional é que você tira o melhor da sua capacidade intelectual do estudo do conteúdo e de como bem transmiti-lo e transfere para a análise infrutífera de PCN's, BNCC's, e o preenchimento de regras e mais regras complexas em diários intermináveis.
É por essas e outras que qualquer ministro, investimento ou outra invencionice na área da educação não dá frutos. O que era uma preocupação secundária se tornou primária. Solução, cadê a solução vocês podem me cobrar e com razão. E eu respondo: só vislumbro alguma solução quando essa cadeia for quebrada e as pessoas tiverem um mínimo de liberdade para questionarem os modelos pedagógicos absurdos que imperam incólumes na cabeça e na mesa de burocratas imbecilizados.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Pensamento avulso XXXVIII

A pedagogia moderna diz não ensinar nada a ninguém e...
É exatamente isso o que tem feito!

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Pensamento avulso XXXVII

O mundo dá voltas! Chega a ser engraçado e ao mesmo tempo triste ver quem contribuiu para a deseducação em massa do brasileiro vir agora dizer que "estão acabando com a educação". Não, não há como acabar com o que nem começou.
Como diz o ditado: "é o sujo falando do mal lavado". Só que nesse caso o sujo era ainda pior...

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sobre educação III


Há um erro antropológico fundamental em se pensar que a educação formal molda o caráter das pessoas e que resolverá de vez o problema da violência. Esquecem-se que o ser humano tem potencialidade tanto para realizar o bem quanto o mal, por isso, mecanismos de defesa contra o mal não estão em oposição ao ato de educar, logo armas e educação não se contradizem. A educação pode até diminuir os crimes com armas brancas e de fogo, mas por outro lado pode aumentar ações tão cruéis quanto a explosão de uma bomba atômica ou de armas químicas ou alguém discorda que os criadores destas não sejam ignorantes, “deseducados”?