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quarta-feira, 24 de maio de 2023

Pensamento avulso LXXXIII

Revolução é coisa de adolescente idealista de cabeça vazia, de adultos que imitam tais adolescentes e de inescrupulosos sedentos de poder.

sábado, 1 de abril de 2023

O homem sensato e a rocha

    Esses dias lendo e meditando sobre os evangelhos, mais precisamente o de S. Mateus deparei-me com uma parábola contada por Nosso Senhor. Não era a primeira vez que a lia, mas foi a primeira vez que eu refleti mais profundamente sobre seu significado. Acredito que o meu leitor também já conhece a parábola do homem sensato versus o homem insensato, mas permita-me compartilhar contigo o que espero não ser um devaneio.

    Pois bem, nessa parábola Nosso Senhor distingue dois tipos de homem e suas atitudes. O sensato que constrói sua casa sobre a rocha e o insensato que a constrói sobre a areia. O primeiro pensamento que me veio é que nada é dito sobre o tamanho ou outra característica da casa, mas somente sobre onde ela se assenta. Devemos construir a casa, pequena que for, mas devemos fazê-la sobre a rocha firme da Igreja, sobre Pedro a rocha que o próprio Cristo nos deu. Nesse sentido, devemos proceder imitando o caminho dos santos que se fizeram pequenos quando construíam a casa de sua vida espiritual.

    No entanto, a agitação do mundo nos conclama a construir imensas mansões, grandes casas de orgulho e “direitos” e de grande confiança nos feitos humanos. A questão é que hoje ou amanhã tais casas cairão, pois foram alicerçadas na areia das opiniões e na fluidez do mundo onde o que hoje é, ontem não o foi nem ao menos amanhã será. Meditando acerca disso e vislumbrando o vaivém do mundo, outro entendimento dessa figura da sensatez e da insensatez se fez presente.

    O homem sensato se funda na rocha que representa o que é fixo e firme, dando-lhe a segurança necessária de que sua obra não sucumbirá em meio às instabilidades do mundo. E como podemos alcançar essa rocha em meio à lama movediça que se tornou o mundo “pós-cristão”? O primeiro passo é compreender, aceitar e acatar a realidade como foi criada e como ela se encontra após a Queda, afinal a revolta contra o que Deus determinou é a fonte de todo pecado e todo mal. A rocha firme é a realidade da obra da Redenção. E nesse ponto é importante fazer algumas considerações. A primeira é em relação ao pecado primeiro que consiste justamente em não aceitar a realidade, em não aceitar o que se é, mas revoltar-se contra essa realidade e acreditar-se ser maior do que se é. Eis o pecado de Lúcifer, eis a desobediência que fez caírem Adão e Eva e com eles a humanidade. Aí está a areia do homem insensato.

    A segunda consideração encontra-se nos salmos de Davi em que o salmista pede ao Senhor que o livre da confusão, que consiste justamente em não enxergar a realidade. Esse é um dos maiores castigos que podemos padecer: a confusão mental. Ela nos faz enxergar a rocha como areia e vice-versa. Tal confusão hoje é imperativa no mundo em suas múltiplas ideologias, sendo preciso para construir na rocha nos afastarmos do orgulho de querer ser o que não somos e aceitarmos o que somos com humildade.

    S. Tomás de Aquino nos diz que a humildade é uma virtude que modera o nosso anseio de grandeza nos orientando pela reta razão. Eis aí o modo de lidarmos com as areias movediças da contemporaneidade: reconhecer a rocha da realidade, rebaixando as nossas vontades com humildade.


sábado, 4 de março de 2023

A morte da verdade

Quando digo que a grande mídia não se pauta pela verdade objetiva, não o faço no sentido de pronunciar um xingamento ou mesmo num tom de crítica, mas de uma constatação. Isso ocorre porque predomina na mentalidade jornalística contemporânea aquela frase famosa de Nietzsche: “Não existem fatos, apenas interpretações”.

Com o predomínio dessa visão de mundo impõe-se um jogo de poder onde a narrativa mais forte e convincente se sobrepõe à verdade, afinal aquela relação de adequação da nossa inteligência à coisa observada parece ter ficado para trás. A quem não acompanha o debate filosófico podemos apresentar o seguinte resumo de como a situação está: a verdade não existe, o que existe são visões e perspectivas pessoais ou coletivas não importando o que é, mas o que parece.

 Entendendo esse processo histórico certas práticas atuais do jornalismo ficam mais claras e algumas palavras-chave como “poder” e “narrativa” nos permitem ter mais clareza daquilo que se passa ao nosso redor. Vamos a um exemplo: a gasolina. Em 2021 uma sequência de aumentos levou a críticas infindáveis ao governo da época, um governo ouvíamos dizer, que não se preocupava com o povo e principalmente com o pobre que dependia do carro, da moto, do ônibus.

Hoje estamos às vésperas de uma retomada da cobrança de impostos federais e consequente haverá aumento de combustível. E o que temos escutado de uma parcela considerável da imprensa? Que carro é coisa de rico ou de no máximo classe média e que a retomada da cobrança de impostos beneficiará o governo e a economia. Alguém poderia dizer se tratar do velho “dois pesos e duas medidas”, mas não é só isso, Como eu disse a chave é entender que não se trata de duas posições jornalísticas acerca de dois fatos ainda que parecidos, mas de duas narrativas permeadas da vontade de, no primeiro caso, confrontar um poder instituído, e de no segundo caso, justificar outro poder mais afim à visão de mundo da chamada “grande mídia”.

Frente a esse quadro não adianta muito denunciar hipocrisias ou recorrer a coerências lógicas, afinal se o fato não é impositivo, menos ainda será a sua exposição clarividente. Essa sentença pode soar pessimista ou imobilizante, mas seu valor não está na ação imediata, mas em nos trazer um pouco do que mais precisamos no momento: sanidade intelectual. Podemos agora não alcançar os meios de ação, mas nos achegamos à possibilidade da verdade, o que significa liberdade. E só a verdadeira liberdade, para o Bem, pode servir de parâmetro a boas ações. Busquemos com afinco a verdade e só assim seremos livres.


quinta-feira, 2 de março de 2023

Sobre as têmporas

A Igreja, mãe e mestra instituiu os jejuns das quatro têmporas. Um período de jejuns que acompanha o ciclo das estações do ano. Desse modo, há quatro têmporas por ano. O Doutor Angélico, S. Tomás de Aquino, destaca o fato de "caberem" três meses numa têmpora, o que acompanha as três ordens sacras.

É um período de jejum e penitência que segue o exemplo de Nosso Senhor, que antes de alguma mudança significativa sempre se punha em jejum e oração. 

Representa o senhorio de Deus sobre a criação nos relembrando de que há tempo para tudo e que nós fazemos parte dessa criação nos conformando aos desígnios de Deus expressos na natureza.

Lembra-nos também da virtude da temperança em que devemos buscar a contenção de nossas paixões.

É um tempo em que percebemos que o sobrenatural sujeita o natural, sendo que por meio de nossa vida natural retamente vivida podemos alcançar a plenitude da vida espiritual.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Pensamento avulso LXXXII

Construa uma casa pequena, mas construa-a sobre a rocha. Há os que constroem grandes casas, mas se elas são construídas sobre a areia hoje ou amanhã cairão.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Pensamento avulso LXXXI

Acabei de ler uma decisão judicial e em meio a todo aquele juridiquês não havia nada. Era uma volta danada sem sentido, como se um cachorro ficasse correndo atrás do próprio rabo indefinidamente. Obviamente para dar ar de seriedade e respeito havia palavras difíceis e linguajar formal, mas que só servem para espantar os incautos e manter uma aura de sobriedade.
Quem conhece um pouco de história sabe que quando as formas e as aparências se sobrepõem ao conteúdo e à realidade é sinal de que a decadência já se encontra em estágio avançado. E como no conto da roupa nova do rei tem gente aplaudindo com medo da reação do déspota que tanto no conto como na nossa real situação nada tem de esclarecido.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023