A história é antiga, aquele papo mansinho em nome dos bons ideais e da “democracia” (essa maravilhosa palavra-gatilho). Com esse discurso vale tudo, inclusive destruir a própria democracia que dizem defender numa expressão externa que emula boas intenções e respeito quando no íntimo só há desejo de controle e ódio. Como diz o velho ditado: "de boas intenções, o inferno está cheio!". Nesse ímpeto de construir um novo mundo não há limites possíveis seja Constituição, seja lei natural ou qualquer outro princípio. Basta somente a vontade imperativa de uma cabeça lustrosa.
Em busca de sabedoria em tempos de relativismo professo. Talvez um pouco de classicismo seja necessário, um retorno aos paradigmas perdidos... Procuro dessa forma momentos de lucidez para além de razões e desrazões extremadas. Neste blog coloco à vossa disposição textos de minha autoria nos quais como católico apostólico romano busco alcançar sabedoria verdadeira. Com a graça de Deus poderei combater o bom combate contra a mentira que reina quase absoluta hodiernamente. ¡VIVA CRISTO REY!
Pesquisar este blog
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
Pensamento avulso LXXVI
Eu confio na elite militar quase o mesmo tanto que confio nas elites intelectual, artística e política, ou seja, nada. Não dá para esquecer o golpe de 1889 ou o fracasso do regime militar com seu positivismo tecnocrata. Ontem como hoje prevalece essa visão limitadíssima que encara a política como se fosse uma equação do 2º grau. Por óbvio há honrosas exceções e não sou eu quem vai desfazer o valor das senhorinhas que clamam junto aos militares, mas sinto em dizer que ficará "tudo como dantes no quartel de Abrantes".
De qualquer forma, quem sabe algum daqueles ventos inexplicáveis da história sopre mais uma vez...
sábado, 10 de dezembro de 2022
Pensamento avulso LXXV
Fico observando esse papo furado de "seleção africana despacha colonizador". De fato o neocolonialismo europeu foi um desastre absurdo, vide o genocídio de Ruanda resultado de uma política desastrosa, principalmente da Bélgica. No entanto, frases como a segue acima fazem um recorte histórico limitado como se o mundo houvesse começado após a Revolução Francesa. Esquecem, por exemplo, os séculos de domínio islâmico na península ibérica e do imperialismo otomano. Esquecem-se da Batalha de Lepanto um evento que mudou o curso da história numa vitória improvável da Liga Santa. Não, os otomanos não eram pobres coitados assolados por europeus malvadões. Eram uma potência econômica e militar expansionista.
Por essas e outras não caia nesse maniqueísmo "decolonialista" e racialista que resume toda a história aos bonzinhos (bons selvagens rousseaunianos) sendo explorados pelos malévolos homens brancos civilizados. Com isso monopolizam não apenas a virtude, mas também o sofrimento, afinal nesse mundo só sofre quem pertence a alguma "minoria ideológica".
sábado, 26 de novembro de 2022
Pensamento avulso LXXIV
"Diz estudo" e "especialista afirma" muitas vezes nada mais são do que formas sofisticadas do velho argumento de autoridade.
domingo, 23 de outubro de 2022
Pensamento avulso LXXIII
Falar num Talibã cristão, principalmente no Brasil, é no mínimo uma falta de proporção. Talvez o que mais se aproxime disso seja a perseguição de alguns traficantes “evangélicos” a umbandistas e candomblecistas nas favelas que “administram” com certa conivência do poder público, principalmente do judiciário e do MP.
Uma reação tardia ao relativismo e à tentativa de implementação de leis parecidas com a dos países laicistas da Europa ser encarada com a criação de um movimento terrorista e totalitário sustentado por estados solidificados e legítimos ao redor do mundo é de uma ignorância sem par. Obviamente há reações mais vigorosas, mas nada que se compare à criação de milícias fortemente armadas ancorada numa legislação religiosa como a xaria. Isso não impede que ocorra algo assim no futuro, mas como mencionei acima parece que virá de um ramo altamente bem quisto pelos acusadores do “talibã cristão”, a saber, os traficantes e criminosos tidos como vítimas da sociedade.
Democracia, pero no mucho
Diz o ditado que peixe morre pela boca e o Roberto Jeferson está doido para ser a boca do Bolsonaro.
Dito isso, eu gostaria de relembrar um fato nada antigo que foi o ataque ao
prédio em que morava a ministra Cármen Lúcia, à época uma inimiga do
progressismo do MST. Muita gente da "direita" decidiu agir e limpar a
frente do prédio deixando flores para a ministra. Sabendo que tais ministros
trocam de posição como trocam de roupa e que esse gesto seria encarado com
escárnio pelos aspirantes a editores do Brasil me mantive fora do ato, ainda
que soubesse das boas intenções da maior parte dos que dele participaram.
E não é que eu estava certo. Cármen Lúcia na semana passada mostrou sua
verdadeira face ao julgar o ato de censura feita ao Brasil Paralelo. Disse ser
contra a censura, "pero no mucho". Alguns diriam se tratar de fala
inspirada nos sofistas, mas eu diria que não. Os sofistas eram ao menos sutis
em suas argumentações, enquanto a ministra... Digamos que não foi lá tão sutil
assim.
Agora ela sai aplaudida por aqueles que a queriam matar, amarrando uma mordaça
vermelha naqueles a queriam bem. Não há como não lembrar do velho soneto de
Augusto dos Anjos que reproduzo em parte abaixo:
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Agora eu digo:
Lembrem-se, amigos!
Que no jogo moderno do poder
O maior dos castigos
É confiar sem descrer
Cármen Lúcia é somente mais uma pessoa que para sobreviver joga pelo ralo seus
valores. Em nome da democracia que diz defender toma uma decisão que a destrói.
Por essas e outras não se esqueçam dessa lição que nos lega a política moderna
sintetizada por Maquiavel e praticada por Robespierre: o temor (ou terror) é
mais forte do que o amor. Nesse processo palavras como democracia e respeito à
constituição nada mais são do que conceitos vazios de significado que são
preenchidos conforme as conveniências do dia.
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Sobre educação VII
Não apenas como professor, mas em minha lida diária com diversas pessoas tenho observado uma dificuldade crescente que as pessoas têm tido em considerar aspectos objetivos do real. Não raras vezes alguns alunos questionam uma nota ou uma fala dizendo se tratar de uma opinião. Sempre respondo que opinião é uma questão de gosto ou apreciação sobre algo, mas que ela não se sobrepõe a fato objetivos, concretos. Obviamente que a hiperespecialização das ciências traz uma grande dificuldade para que essas distinções sejam feitas, mas isso não altera o fato de que proposições sobre objetos podem ser verdadeiras ou falsas e só. Elas devem ser verificadas e são independentes de desejos e gostos. Quando eu afirmo, por exemplo, que a Argentina foi campeão mundial de futebol em 1986 estou apresentando um fato. Podemos discutir a legitimidade da conquista feita de forma desleal com o gol de mão das quartas de final, mas isso não muda o fato, ponto.
Essa é uma séria dificuldade que os professores enfrentam e enfrentarão cada vez mais com o desenvolvimento da "cultura woke" que sobrepõe sentimentos a fatos como se a mera fala e desconstrução dos paradigmas alterassem a realidade das coisas. Esse tipo de ficção que se impõe como real ainda cobrará sua dívida e a história nos mostra que ideologias que reduzem a complexidade do real a fáceis reduções retóricas sempre terminam mal com muitas e dolorosas mortes. Infelizmente muitos inocentes pagarão o preço dessa dívida.