Terminamos¹ a primeira parte com a afirmação do Doutor Angélico segundo a qual possuímos inclinações naturais ao bem, às virtudes. No entanto, como também mencionamos o pecado original desorientou essa inclinação sucedendo em nós o que afirma o Apóstolo S. Paulo: “Porque eu não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm. 7, 19). A verdadeira educação é necessária, pois para nos orientar ao bem por meio da prática constante e habitual da virtude, o que se dá na dimensão da vontade. Tal constatação é anterior à verdade revelada, como fica demonstrado pelo filósofo pagão Aristóteles que nos diz algo assim na sua obra, “Ética a Nicômaco”.
Passamos então ao âmbito da inteligência que deve ser precedida pela análise da sensibilidade, pois como nos indica S. Tomás de Aquino o conhecimento se inicia pelo apuro dos sentidos. Com isso, a educação católica como nos ensina a Santa Igreja começa pela beleza e ordem na pintura, na música, vide o gregoriano, e na arquitetura. A abstração das ciências e da lógica, inclusive da linguagem precisa da concretude das coisas sensíveis retamente ordenadas. Um exemplo prático numa aula de matemática pode ser o estudo do eixo simétrico iniciado pela observação de uma borboleta.
O professor antes de situar o desenho de uma borboleta num plano cartesiano poderia mostrar uma borboleta real e indicar que essa beleza é parte da criação divina relembrando a passagem do Gênesis onde o Senhor após criar o mundo viu que tudo era bom. A bondade se expressa na beleza da ordem e da proporção conforme o Criador. A educação católica passa necessariamente por esse reconhecimento de que todo conhecimento verdadeiro vem de Deus e nos leva de volta a Ele, afinal como diz a glosa de S. Ambrósio toda verdade provém do Espírito Santo. O que há de mais “seco” e árduo na ciência pode nos apontar, dar indícios do criador. Se o professor particularmente e o educador genericamente conseguirem inspirar seus alunos a essa constatação, grande parte do seu trabalho está feito.
- Essa segunda parte só foi em parte desenvolvida durante a palestra sendo complementada a posteriori. ^
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